| ANÁLISE COMPARATIVA DO ESTADO
DE SAÚDE PERIODONTAL DE PACIENTES NÃO PORTADORES E
PORTADORES DE DIABETES MELLITUS
WEHBA, C.
SIMONE, J.L.
Christian Wehba
odonto.c@terra.com.br
RESUMO
Diversos estudos têm demonstrado
alta correlação entre e a doença periodontal
(DP) e o Diabetes mellitus (DM), apresentando estas, relação
bidirecional. O presente trabalho realiza uma análise comparativa
da condição periodontal entre dois grupos de pacientes
de ambos os sexos e com idade entre 18 e 40 anos. Grupo 1: composto
por 81 pacientes portadores de DM tipos 1 e 2, atendidos no Centro
de Diabetes da UNIFESP, e Grupo 2: composto por 71 pacientes não
diabéticos, com atendimento no ambulatório da Faculdade
de Odontologia da UNIP. Para avaliação da condição
periodontal utilizamos o índice de PSR – Periodontal
Screening and Recording, que se baseia na presença de sangramento
gengival à sondagem, presença de biofilme dental (placa
bacteriana), nível de inserção clínica
periodontal perdida e necessidade de tratamento periodontal. A razão
homem/mulher e a média de idade dos dois grupos foram comparáveis.
Os resultados mostraram que o grupo 1 apresentou piores condições
periodontais do que o grupo 2, sendo que apenas 16% dos pacientes
diabéticos apresentaram saúde periodontal, enquanto
que 44% do grupo 2 apresentaram a mesma condição (p<0,005).
Gengivite –fase precoce da DP- ocorreu em proporções
semelhantes no grupo 1 (32 %) e grupo 2 (35 %) (p>0,005); periodontite
leve manifestou – se em 26% dos pacientes do grupo 1 e em
13% dos dos pacientes do grupo 2. Doença periodontal moderada
e grave ( severa ) esteve presente em proporções significantemente
maiores entre os pacientes do grupo 1 ( 26% ) quando comparados
aos do grupo 2 (9%), (p<0,005). Níveis glicêmicos
em jejum e tempo de diagnóstico do DM não se mostraram
associados à presença de doença periodontal.
Concluímos que a presença de DM associa-se à
doença periodontal, o que pode sugerir uma maior susceptibilidade
que pode estar relacionada às complicações
microvasculares e/ou do sistema imunológico presentes nos
pacientes diabéticos. Tais achados permitem sugerir que paralelamente
ao acompanhamento médico, o acompanhamento odontológico
com maior periodicidade se faz necessário em se tratando
do pacientes portadores de DM.
1. INTRODUÇÃO
A atenção de profissionais da área da saúde
tem se voltado, nos últimos anos, as pesquisas da Medicina
Periodontal, fato este relacionado às importantes implicações
que a saúde periodontal pode exercer sobre quadros sistêmicos.
A DP se constitui numa freqüente afecção bucal,
caracterizada por inflamação e/ou destruição
de tecidos periodontais. Condições locais, relacionadas
à deficiente higiene bucal, favorecem o desenvolvimento de
processos inflamatórios e infecciosos, desencadeando uma
série de alterações estruturais, com conseqüências
para dentes, gengiva, osso alveolar e ligamentos periodontais. Condições
sistêmicas como o DM, AIDS, certas infecções
virais e/ou certos medicamentos utilizados de forma crônica
podem predispor ou agravar o quadro da DP(Bretz, 1996), que na sua
forma mais avançada destrói as estruturas de proteção
dos dentes (gengiva livre e gengiva inserida), bem como as estruturas
de sustentação dos mesmos (osso alveolar, cemento
radicular e ligamentos periodontais).
As infecções bucais podem deteriorar a saúde
sistêmica, por propiciar penetração de microorganismos
bucais, na corrente sangüínea, fato este diretamente
relacionada à gravidade da inflamação gengival.
(Scanapieco, 1998)
Uma das doenças mais estudadas, o Diabetes Mellitus (DM),
aparece de forma a corroborar estas pesquisas, uma vez que pode
influenciar e sofrer influência da doença periodontal
(DP).
Segundo a OMS e a Sociedade Brasileira de Diabetes, o Diabetes mellitus
é uma síndrome múltipla, decorrente da falta
de insulina e/ou da incapacidade da insulina de exercer adequadamente
seus efeitos. Caracteriza-se por hiperglicemia crônica, com
distúrbios do metabolismo dos carboidratos, lipídios
e proteínas. Como complicações do DM mal controlado
ou de longa duração, encontramos microangiopatias
e suas repercussões renais, retinianas, vasculares periféricas
e periodontais. (Armello e Carbone, 2001; Lamey e Lewis, 2000; Sönksen,
Fox e Judd, 2000; Ramos, Markos e Mota, 2001; Donnelly e Colab.,
2000)
Com freqüência, os sintomas clássicos do DM (perda
inexplicada de peso, polidipsia e poliúria) podem não
estar presentes inicialmente, porém poderá ocorrer
hiperglicemia em grau suficiente para causar alterações
funcionais ou patológicas por um longo período antes
que o diagnóstico seja estabelecido. Antes do surgimento
de hiperglicemia mantida, acompanhada do quadro clínico clássico
do Diabetes mellitus, a síndrome diabética passa por
um estágio de distúrbio do metabolismo da glicose,
caracterizado por valores glicêmicos situados entre a normalidade
e a faixa diabética. (Mello, Carboni e Carvalho, 2000; CHACRA,
1997; Ramos, Markos e Mota, 2001, American Diabetes Association,
2001)
O DM é classificado em DM tipo 1 , onde o organismo do paciente
não produz insulina, manifestando-se na infância ou
adolescência tendo caráter autoimune; ou DM tipo 2,
a forma mais comum de DM, associada a obesidade, onde o indivíduo
não mais produz insulina, ou esta, produzida por seu organismo,
não consegue ser utilizada pelas células. (American
Diabetes Association,2001)
A longo prazo, o distúrbio metabólico provoca alterações
anatômicas e funcionais na saúde geral dos portadores
de DM, inclusive na cavidade bucal, predispondo ao aparecimento
da DP de caráter inflamatório e infeccioso. Além
disso, a descompensação hiperglicêmica prolongada
compromete a imunidade celular do indivíduo diabético,
propiciando ainda mais a instalação da DP.
Ramos, Markos e Mota, em 2001, descrevem, como parte do quadro de
DM, algumas manifestações na cavidade bucal, como:
abcessos crônicos, candidíase oral, cicatrização
lenta, distúrbio na gustação, doença
periodontal, glossodínia, hiperplasia gengival, hipocalcificação
dentária, inflamação gengival, menor queratinização
epitelial, osteoporose trabecular, perda óssea rápida
e xerostomia, alertando, portanto, para a importância do tratamento
odontológico para os referidos pacientes.
Kiname, em 1999, afirma que o DM é provavelmente uma das
únicas doenças sistêmicas diretamente relacionada
a perda de inserção periodontal, em uma razão
aumentada em 2,3 vezes.
O Center of Disease Control (CDC) dos EUA reconhece a DP como uma
complicação crônica no curso do DM. Vários
estudos relatam prevalência aumentada de DP em indivíduos
diabéticos, corroborando para esta afirmação
(Betschart, 1997; Shlossman e colab., 1990; Emrich e colab., 1991,
Cohen, 2001).
Perdas de inserção periodontal são maiores
em indivíduos portadores de DM, especialmente nos descompensados
devido a sua reduzida capacidade de responder a processos infecciosos.
A hemoglobina glicosilada, cronicamente elevada, pode contribuir
para as alterações vasculares sistêmicas e no
periodonto. Por outro lado, a DP grave constitui-se em um importante
fator de descompensação glicêmica, favorecendo
as complicações crônicas da doença.
Grossi et al., em 1996, propuseram que a DP também seja consequência
da microangiopatia diabética que, à semelhança
do que ocorre na retina e rins, através do “sistema”
AGE-RAGE, determina a diminuição do lúmen dos
pequenos vasos sanguíneos acarretando disfunção
no periodonto destes pacientes.
Infecções bucais, assim como aquelas localizadas em
outras partes do organismo, podem predispor à descompensação
diabética. Desta forma, o controle da DP e dos processos
infecciosos a ela associados revertem em grande contribuição
para a estabilização glicêmica destes pacientes.
Diante da escassez de dados e estudos epidemiológicos nacionais
sobre a inter-relação entre a Doença Periodontal
(DP) e o Diabetes mellitus (DM), torna – se necessária
melhor análise desta população, para que estes
pacientes recebam as atenções necessárias frente
aos seus problemas de saúde.
O presente estudo tem como objetivo avaliar e relacionar as condições
periodontais de pacientes portadores e não portadores de
Diabetes mellitus com as variáveis faixa etária, tempo
de diagnóstico do DM e níveis glicêmicos em
jejum.
2. MATERIAL
E MÉTODOS
Esta pesquisa foi desenvolvida no ambulatório do Centro de
diabetes da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)-
Escola Paulista de Medicina e no ambulatório da Faculdade
de Odontologia da UNIP – Universidade Paulista.
Participaram deste estudo 152 indivíduos de ambos os sexos,
com idade entre 18 e 40 anos, com nível sócio econômico
e escolaridade semelhantes, que foram divididos em: grupo 1, constituído
por 81 pacientes diabéticos; e grupo 2, constituído
por 71 pacientes não diabéticos.
Os grupos foram comparados segundo as variáveis idade, tempo
de diagnóstico de DM, tipo de DM e nível glicêmico
de jejum.
Foram excluídos deste estudo pacientes com menos de 30% dos
dentes na boca, conforme recomendado pela American Academy of Periodontology,
para a utilização do índice PSR.
2.1 Material
Foram utilizados 7 jogos de instrumentos, contendo cada um :
- Sonda periodontal modelo WHO 621
- Espelho clínico n°5
- Sonda exploradora n°5
- Pinça clínica
2.2 Métodos
A anamnese e o exame clínico foram realizados por um único
operador que utilizou uma ficha padrão de atendimento odontológico
onde foram obtidas informações de anamnese e do exame
clínico. Dentre estas, foram obtidos dados demográficos,
higiene bucal, antecedentes mórbidos; para pacientes diabéticos
foram colhidos dados que permitissem a classificação
da doença, duração do diagnóstico, além
de glicemia de jejum.
Utilizamos para o exame periodontal o índice PSR com seus
escores de 0 a 4, sendo estes:
Código 0 = Saúde periodontal: a faixa colorida da
sonda encontra-se totalmente visível. Não há
sangramento à sondagem. Não se observa presença
de cálculo ou margens de restaurações irregulares.
Conduta: medidas preventivas.
Código 1 = Gengivite: a faixa colorida da sonda ainda encontra-se
visível, sem presença de cálculo, porém
com sangramento à sondagem. Conduta: medidas de higiene bucal,
remoção da PB supra e subgengival.
Código 2 = Gengivite ou periodontite leve: faixa colorida
da sonda totalmente visível, com presença de cálculo
e/ou margens de restaurações mal adaptadas no nível
ou intra - sulcular. Conduta: higiene bucal, remoção
de cálculo e PB, correção das margens de restaurações,
fluoretação tópica.
Código 3 = Periodontite moderada: faixa colorida da sonda
parcialmente visível. Conduta: sondagem periodontal com mapeamento
completo e exame radiográfico das áreas em questão.
Código 4 = Periodontite severa (grave): faixa colorida da
sonda totalmente no interior da bolsa periodontal. Conduta: mapeamento
periodontal completo e exame radiográfico da boca toda.
Código * = Para indicação de mobilidade dental,
envolvimento de furca, retrações gengivais maiores
que 3mm, problemas mucogengivais.
Código X = Ausência do elemento dental. (Conde e colab.,
1996)
A anamnese e o exame clínico foram realizados por um único
examinador.
A sondagem periodontal (figura 1)foi realizada com a utilização
da sonda periodontal WHO – 621 (figura 2), sonda esta que
apresenta uma faixa colorida, demarcando duas medidas chave: 3,5
e 5,5mm, bem como uma esfera de 0,5mm de diâmetro, em sua
extremidade.
Durante a sondagem, avaliou-se presença de sangramento gengival,
presença de biofilme dental, nível de inserção
clínica periodontal perdida, profundidade de sondagem, presença
de cálculo dental e restaurações mal adaptadas,
permitindo o acúmulo do biofilme bacteriano (placa bacteriana).
Os dados obtidos foram avaliados através do método
estatístico de Regressão Múltipla Linear, e,
em seguida, lançou-se mão do teste de Qui quadrado
e do teste exato de Fischer como testes de confirmação.
3. RESULTADOS
Foram estudados 81 pacientes com DM e 71 sem DM, cujas características
são apresentadas na tabela 1.
Juntamente com o DM, o hábito do tabagismo é outro
agravante, bem como fator de risco para a DP. Dos pacientes portadores
de DM, 18,5% apresentaram o hábito, ao passo que somente10%
dos pacientes do outro grupo eram tabagistas, não havendo
entretanto diferença significativa entre os dois grupos de
pacientes
Tabela- 1
NDM DM
N (H/M) 26/45 37/44
Idade média 27,4 30,1
Tabagismo (s/n) 6/65 20/61
Tipo DM (1/2) ---- 40/41
Tempo DM ---- 0,5 - 15 anos
O hábito do tabagismo não
apresentou significância estatística, em nossa pesquisa,
como agravante da DP. O pequeno número de pacientes com este
hábito não nos permite fazer nenhum tipo de comparação
entre grupos de pacientes fumantes e não fumantes frente
ao estado de saúde periodontal. Nossos resultados porém
não correspondem com os dados da literatura, onde diversos
autores, como Grossi e colab, em 1996, Bridges e colab., em 1996
e Cohen, em 2001, entre outros, afirmam que o hábito do tabagismo
pode aumentar em até três vezes a incidência
da DP.
Acreditamos que se tivéssemos em nossa amostragem um número
maior de pacientes com o hábito do tabagismo provavelmente
encontraríamos uma correlação direta com a
DP, possibilitando-nos confirmarmos os dados da literatura, pois
os diversos estudos a respeito deste assunto apresentam-se de forma
consistente e amplamente aceitos pela comunidade odontológica.
Tabela 2- Relação entre diagnóstico periodontal
e a presença ou não de Diabetes mellitus
P< 0,01
Quando da comparação de pacientes não portadores
e portadores de DM frente à DP. Os grupos de pacientes apresentaram
diferenças quando do desenvolvimento da DP. Pacientes portadores
de DM apresentam periodontites, em seus diferentes níveis,
em uma razão (OR) 2,3 vezes maior do que pacientes não
portadores de DM. (p < 0,01)
Diversas pesquisas relatam uma correlação freqüente
e expressiva entre DP e o DM. Ao compararmos os resultados obtidos
quanto a condição de estado periodontal entre o grupo
composto por pacientes portadores de DM e o grupo de pacientes não
portadores de DM observou-se diferença nítida entre
os dois grupos corroborando os dados da literatura citada (Borges
e Moreira, em 1995; Grossi e colab., em 1996; Bridges e colab, em
1996; Firatli, em 1997; Collin e colab, em 1998 e Ramos, Markus
e Mota, em 2001).
Como sabemos que o paciente portador de DM apresenta respostas metabólicas
e imunológicas alteradas, podemos talvez nos apoiar nos trabalhos
de Dennison e colab., em 1996, Banoczy e colab., em 1988, Katz e
colab., em 1991, Galili, em 1996, Lalla e colab., em 2000 e Iacopino,
em 2001, para explicar a prevalência de manifestações
periodontais mais graves nestes indivíduos. Devido uma deficiência
na resposta macrofágica e quimiotática dos PMN, entre
outras alterações, os pacientes portadores de diabete
apresentam dificuldade na defesa imunológica frente à
DP, apresentando, assim, manifestações mais exacerbadas
da periodontite.
O fator idade não apresentou significância estatística
frente a DP em pacientes portadores de DM (p = 0,455). Tanto pacientes
na faixa etária de 18 a 29 anos como pacientes na faixa de
30 a 40 anos comportaram-se de forma semelhante frente as manifestações
periodontais. (tabela3)
Tabela 3- Relação entre diagnóstico periodontal
e a faixa etária de pacientes portadores e não portadores
de Diabetes mellitus
A variável idade apresentou
relação estatística significante (p<0,01)
com a variável DP em pacientes não portadores de DM.
Os resultados atestam que quanto maior a faixa etária maiores
as complicações periodontais em pacientes não
portadores de DM. (tabela 3)
Ao analisarmos pacientes com idades entre 18 e 40 anos, avaliamos
uma faixa etária de comprovada menor probabilidade de desenvolvimento
de DP, conforme atestam Marshall Day e colab., em 1955, Scherp,
em 1964 e Löe e colab., em 1978. O critério utilizado
para a escolha de nossa amostragem foi em função de
alcançarmos uma relação, ou predisposição,
de pacientes portadores de DM apresentarem maior prevalência
de DP, mostrando que o diabetes é um fator predisponente
e agravante desta doença bucal. Comprovamos esta correlação
em função dos resultados obtidos.
Para não equipararmos indivíduos de 18 anos com os
de 40 anos frente a DP, dividimo-los em dois subgrupos de faixas
etárias, uma compreendendo pacientes com idades de 18 a 29
anos e outra com pacientes com idades de 30 a 40 anos, diminuindo
talvez mais uma variável, ou tendenciosidade, em relação
a esta doença bucal. Os pacientes dentro da faixa etária
de 30 a 40 anos encontram-se mais próximos da idade, que
segundo a literatura, apresentam maior risco de desenvolvimento
da DP.
A influência do fator idade frente ao desenvolvimento da DP
mostrou, em nossa pesquisa, significância estatística
somente no grupo da pacientes sem DM, onde 92% dos pacientes com
idade entre 18 e 29 anos apresentavam saúde periodontal e
gengivite, e o mesmo somente ocorreu em 47% dos pacientes na faixa
etária entre 30 e 40 anos. Deste grupo com faixa etária
mais elevada, 53% apresentou periodontite em seus diferentes graus.
Ou seja, viemos a confirmar, neste grupo de pacientes, que o fator
idade pode representar um agravante para a DP conforme Marshall
Day e colab, em 1955, Scherp , em 1964, Löe e colab., em 1978,
Yoneyama e colab., em 1988 e Opperman, em 2000.
Observamos não haver significância estatística
entre as variáveis idade e o diagnóstico periodontal,
no grupo de pacientes portadores de DM. A explicação
para este fato talvez se deva em função de pacientes
portadores de DM já sofrerem desde uma idade jovem a ação
deletéria do DM, ações estas descritas por
diversos autores.
O maior tempo de diagnóstico do DM não apresentou
relação estatisticamente significante com o diagnóstico
periodontal de pacientes portadores de DM (p = 0,795). Tanto pacientes
com diagnóstico de DM a menos de três anos, como pacientes
com o diagnóstico de 3 a 8 anos ou há mais de 8 anos
apresentaram comportamento semelhante frente aos diagnósticos
periodontais. (tabela 4)
Tabela 4- Relação entre o diagnóstico periodontal
e o tempo de diagnóstico do Diabetes mellitus
P = 0,795
O tipo de DM não se manifestou como fator determinante para
a DP. Não houve relação estatística
significante entre tipos de DM (tipo 1 ou tipo 2) e o diagnóstico
periodontal dos pacientes (p = 0,474). Pacientes portadores de DM
tipo 1 e de tipo 2 comportam-se de modo parecido quanto a seus estados
de saúde periodontal. (tabela 5)
Tabela 5- Relação entre o diagnóstico periodontal
e o tipo de Diabetes mellitus
P= 0,474
Tabela 6 - Relação entre índice PSR e a presença
ou não de Diabetes mellitus
A forte relação entre
o índice PSR e a presença ou não do DM –
p < 0,01 - nos permite afirmar que pacientes portadores de DM
apresentam-se, em sua maioria, manifestando os níveis 2,
3 e 4 do índice PSR, ao passo que pacientes não portadores
de DM manifestam, em grande parte, os níveis 0 e 1 do mesmo
índice.
A utilização do índice PSR como método
de investigação da DP revelou-se satisfatório
pois apresentou grande poder diagnóstico sendo de fácil
utilização pela classe odontológica, como sugerem
Conde e Colab., em 1996.
Sendo este índice utilizado não só para diagnóstico
como também para indicação de tratamento periodontal,
encontramos correlação estatisticamente significante
(p < 0,01) entre pacientes portadores e não portadores
de DM frente as suas necessidades de tratamento periodontal.
Pacientes com diabetes apresentaram-se em sua maioria nos níveis
2, 3 e 4 do índice PSR. Enquanto 26% destes pacientes necessitam
de exames periodontal e radiográfico completos, bem como
tratamento periodontal efetivo (níveis 3 e 4), somente 9%
dos pacientes sem o DM mostram tal necessidade. Já os pacientes
com diabetes que necessitam de medidas preventivas, orientação
de higiene bucal e somente remoção de PB totalizavam
48%, ao passo que o mesmo ocorreu em 79% dos pacientes do outro
grupo.
4. CONCLUSÕES
Frente aos resultados obtidos podemos
concluir que:
1) A DP esteve mais presente e em suas formas mais graves no grupo
de pacientes portadores de DM.
2) Pacientes portadores de Diabetes mellitus necessitam de maiores
cuidados bucais e tratamento periodontal efetivo, já que
a maior parte dos indivíduos não diabéticos
apresentaram índices 0 e 1, e os pacientes portadores de
DM apresentaram os índices 2, 3 e 4.
3) A presença do Diabetes mellitus contribuiu para uma manifestação
precoce da doença periodontal.
4) Assistência terapêutica e profilática de profissionais
de ambas as áreas (odontológica e médica) poderá
proporcionar melhor qualidade de vida aos pacientes portadores de
diabetes.
5) A DP manifestou-se mais precocemente em pacientes portadores
de DM do que em pacientes não portadores.
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