| CEFALOMETRIA COMPUTADORIZADA E OS SERVIÇOS
DE DOCUMENTAÇÃO ORTODÔNTICA - VCETOO - Out - 2002
Dr. Felicio S.R. Zampieri
Especialista em Radiologia Odontológica
Diretor da Craneum Radiologia
CEO da CRANEUM –Imageologia Odontológica
Diretor Científico da Cirrus Informática
Membro do Grupo de pesquisa em Imagens Digitais para Odontologia
Prof. Cleber Bidegain Pereira
Prof. Assistente do Curso Especialização Imageologia
Prof. Dr. Leoninas de Freitas
A cefalometria originalmente feita
pelo ortodontista/ortopedista_f_m/ortopedista_f_m, no Brasil sofreu
um processo de terceirização, passou na maioria das
vezes a ser realizada pelo radiologista. Em países como os
EUA, a maioria dos ortodontista/ortopedista_f_m/ortopedista_f_ms
continua fazendo seus próprios cefalogramas. Isto foi modificando
os hábitos de realização e interpretação
da cefalometria no Brasil. Novos sistemas prometem acuidade e velocidade
nesta tarefa.
O PRINCÍPIO
Discutindo detalhes sobre precisão,
acuidade, etc.. Não podemos deixar de lembrar que a cefalometria
apesar dos estudos de Broadbent 01 na pratica odontológica/ortodôntica
é um estudo jovem, efetivamente usada dos anos 50 para cá,
(Tweed-1946, Wylie-1947, Bjork-1947, Downs-1948, Steiner-1953)01.
A princípio todos os ortodontistas/ortopedistas_f_ms
no Brasil, utilizavam-se de cefalometria manual, aliás, os
profissionais mais jovens, talvez não saibam que todos os
processos que hoje compõem uma documentação
ortodôntica eram realizados dentro do próprio consultório
ortodôntico, prática esta que foi reproduzida aqui
tal qual se fazia na América do Norte, de onde veio o padrão
de documentação ortodôntica adotado no Brasil,
o padrão da American Board of Ortodontics. Lá esta
prática continua, ao contrario do Brasil, onde devido às
condições de preços de equipamentos e acesso
a tecnologia, acabou-se terceirizando este processo, criando-se
um nicho novo para os então, também jovens, serviços
radiológicos.
CAMINHOS DIFERENTES
Os primeiros sistemas de cefalometria
computadorizada surgiram desenvolvidos ou orientados por ortodontista/ortopedista_f_ms.
Minha iniciação com tais sistemas aconteceu com um
sistema Apple de 8 bits, sem disco rígido, monitor monocromático,
e com 32 Kb de memória ( não eram Gigabytes nem Megabytes,
eram apenas Kbytes), tratava-se de o que havia de mais moderno,
hoje com lugar garantido em qualquer museu, mas neste momento começou
uma diferença entre os sistemas no Brasil e os Americanos,
comecei a orientar um engenheiro na confecção de um
software dedicado para radiologistas em quanto na América
os sistemas continuavam a ser desenvolvidos para ortodontistas/ortopedistas_f_ms.
Esta diferença pode ter sido
um dos principais fatores para o distanciamento entre a forma como
hoje se faz, se armazena e como se interpreta cefalometria no Brasil
e na América do Norte.
Por natureza adepto de novidades, o Norte Americano, rapidamente
se adaptou e adotou os sistemas computadorizados, pois como ele
próprio fazia suas cefalometrias, testava e verificava pessoalmente
os resultados, acostumando-se assim as diferenças. Já
o ortodontista/ortopedista_f_m brasileiro, como passou a não
mais fazer suas análises, via com desconfiança os
sistemas computadorizados pois não conhecia o processo de
perto.
Até hoje alguns ortodontistas/ortopedistas_f_ms
tem preconceitos em relação a cefalogramas computadorizados,
mesmo porque muitos institutos de documentação ortodôntica
não atualizaram seus softwares e ainda apresentam traçados
truncados e imperfeitos.
PROBLEMAS ATUAIS
Hoje com a proliferação
indiscriminada do numero de ortodontistas/ortopedistas_f_m e de
laboratórios de documentação ortodôntica,
temos um “fator de mercado”afetando a qualidade do produto
final. Em pesquisa que realizamos com os responsáveis por
pacientes, concluímos que um grande numero de ortodontista/ortopedista_f_ms
orientam os pacientes a selecionar o serviço de documentação
ortodôntica pelo preço, o que gera a reação
em cadeia abaixo:
|
ortodontista/ortopedista_f_m indica serviço
de documentação ortodôntica mais barato
|
=> |
Serviços
de documentação ortodôntica preocupados
com custo operacional delega a tarefa de digitalização
de pontos cefalométricos a não odontólogos,
e sem o conhecimento necessário |
|
|
|
ß |
|
|
cefalogramas
começam a perder fidelidade |
|
|
|
ß |
| o
diagnostico cefalométrico fica comprometido |
<= |
as
medidas geradas são imprecisas |
Este processo em médio prazo
deve trazer sérios problemas para todas as partes envolvidas.
É perfeitamente possível procurar indicar laboratórios
radiológicos que tenham odontólogos competentes realizando,
ou ao menos conferindo todas as cefalometrias. Cabe ao ortodontista/ortopedista_f_m
esta tarefa de bem indicar, procurar conhecer as instalações
e profissionais que irão manipular a documentação
ortodôntica de seu paciente, promovendo assim uma seleção
natural de qualidade. É importante instruir o paciente do
valor e importância destes exames.
RÁPIDA EVOLUÇÃO
Mas nem tudo são problemas,
por outro lado esta “situação de mercado”estimulou
a concorrência e as então empresas de software e equipamentos
para radiologia investiram em sistemas mais complexos que pudessem
deixar a tarefa inicial do ortodontista/ortopedista_f_m de diagnóstico
e planejamento mais rápida, completa e segura.
Os softwares e hardwares evoluíram
muito, o computador ficou finalmente acessível a todos, e
com poder de processamento para manipular imagens gráficas
complexas.
Pessoalmente tive a felicidade de
participar deste processo que continua correndo “a todo vapor”.
Em 1993 estive em Uruguaiana-RS a convite do querido amigo Dr. Cleber
Bidegain Pereira, grande conhecedor e autor de antropologia e cefalometria,
entusiasta das imagens eletrônicas, lá se reuniu pela
primeira vez um grupo de pesquisas que formamos. Durante dois dias
vistamos e trabalhamos no laboratório de Bidegain.
Bidegain já se utilizava câmeras
de estúdio RGB associadas a placas targa, até hoje
considerados equipamentos profissionais.
Ainda em 1993, tivemos mais alguns
encontros, o grupo aumentou, e em 1994 já com o apoio de
seis empresas de radiologia e informática, lançamos
no Congresso da SPO, aquele que seria o protótipo do sistema
de fotografia digital de hoje. O sistema batizado de projeto OrtoNet,
não só captava as imagens digitais, mas organizava-as
e criava um disquete que batizamos de Documentação
Digital.
A documentação Digital
permitia ao ortodontista/ortopedista_f_m não simplesmente
ver as imagens, mas quem dispusesse do sistema, podia inclusive
receber os pontos craniométricos do paciente, e visualizar
no computador, todas as analises cefalométricas disponíveis
no programa.
Em 1996 em pleno congresso da APCD
no Anhembi, transferimos a primeira documentação digital
via internet no Brasil. De um computador no curso, direto para o
consultório de um ortodontista de SP.
A seguir orientamos o desenvolvimento
do sistema Photo View, que usa câmeras digitais e impressoras
de ultima geração.
As fotografias vêm sendo parte
fundamental nos estudos cefalométricos. As análises
faciais finalmente começam a tomar sua posição
de destaque, pois o ortodontista/ortopedista_f_m não mais
analisa somente números frios, mas também os anseios
estéticos do paciente. 01 04 05
Curiosamente os principais centros
de ortodontia da América do Sul estão importando tecnologia
Brasileira de Software de Cefalometria e conseqüentemente dados
os mesmos passos que já demos na tarefa de terceirização
da cefalometria e documentação Ortodôntica.
VCETOO
Durante praticamente todo este período,
uma ferramenta muito poderosa, poderia estar sendo muito mais utilizada
pelos ortodontistas/ortopedistas_f_m, o VCETOO, que significa Visualização
Computadorizada da Expectativa do Tratamento Ortodôntico Ortognata.
Trata-se de uma metodologia de manipulação dos traçados
cefalométricos criada por Bidegain 06, “método
que executa, graficamente, com o auxílio do computador, aquilo
que se espera acontecer ou pretende-se fazer durante o tratamento.
O computador possibilita, com facilidade, a composição
gráfica desse planejamento, o qual, sendo visualizado previamente,
pode ser mais bem avaliado e reestudado, além de servir como
parâmetro para avaliações subseqüentes”.
Utiliza-se basicamente o programa
comercial CorelDraw, (relativamente barato em suas versões
mais antigas) e o traçado cefalométrico gerado pelo
programa OrtoView que acompanha Documentação Ortodôntica
Digital. As possibilidades são muitas. Podendo-se reposicionar
uma mandíbula, inclinar elementos dentários colocando-se
o centro de rotação onde se desejar, simular alterações
no perfil, simular uma cirurgia ortognática e até
uma sobreposição com fotografias.
Todos estes movimentos podem ser
feitos com alta precisão e acuidade, porem como diz o autor
do método “o profissional não deve errar em
seu Diagnóstico e Plano de Tratamento. E é de esperar-se
que seu Prognóstico seja correto. No entanto, VCETOO, não
é diagnóstico nem Plano de Tratamento. Não
é
um compromisso de resultados é, somente, um ideal ao qual
o profissional almeja chegar. Desde logo, não é, também,
um ideal utópico, irrealizável, um sonho. Ao contrário,
deve ser um objetivo planejado com possibilidade de concretização.
Para atingir-se o resultado planejado é preciso confluírem
diversos fatores de maneira favoráveis, sendo que, alguns
deles, independem da intervenção do ortodontista,
como a cooperação do paciente , o crescimento e o
comportamento dos tecidos moles, que escapam ao controle do experto”06
Veja alguns exemplos:
Pré VECTOO
Simulação VCETOO

Pós VCETOO
Exemplo abaixo gentilmente cedido
pelo Prof. Dr. Cleber Bidegain Pereira
Inicial VCETOO Final
TECNOLOGIA ATUAL
Hoje estamos usando o máximo
que a tecnologia nos permite, a digitalização dos
pontos craniométricos são feitos em mesas digitalizadoras
de altíssima acuidade e precisão, 1400 dpi, para evitar
ao máximo a propagação de erros matemáticos.
Analises como a de Bimler, podem sofrer facilmente alterações
importantes nos resultados, se o sistema permitir propagações
de erros.
Desenvolvemos softwares que permitem
prever o crescimento e prever a impacção dos terceiros
molares. 05

Os próximos passos são empolgantes, certamente veremos
sistemas integrados entre o ortodontista/ortopedista_f_m e o centro
radiológico, onde este possa corrigir ou alterar o cefalograma
a seu gosto
A cefalometria em planos como a utilizamos
hoje deve ser substituída por imagens tridimensionais de
alta precisão e com facilidade de uso. Os scanners em 3D
poderão escanear o paciente e um tomógrafo computadorizado
volumétrico poderá com pouca radiação
fornecer uma radiografia em 3D.
Neste cenário futurista, mas
nem tanto, teremos de rever vários fatores que até
hoje foram planejados em dois planos apenas, imagine como ficaria
um cefalograma em três dimensões, como ficaria o plano
de Frankfurt em um paciente assimétrico, e o plano oclusal,
apoiar-se-ia em quais três dentes
Temos muito trabalho pela frente
e como diz Rafael Kenski 07 “O Superprofissional do futuro
terá que ser sensível como um artista e exato como
um engenheiro. Ser muito bom em alguma coisa sem deixar de entender
um pouco de tudo”.
REFERENCIAS
01 STEINER,C.C. CEFALOMETRICS FOR
YOU AND ME - Am. J.Orthod.,39(10):729-55, Oct 1953
02 FREITAS, LEONIDAS DE –Radiologia
Bucal –Cap 18 –ZAMPIERI FELICIO S.R.- Documentação
Ortodôntica parte II –pag.
03 PEREIRA, CLBER BEDEGAIN –Introdução
à Cefalometria Radiográfica –Editora da Universidade
Federal RS –pag 12-19
04 GREGORET, JORGE –Ortodontia
e Cirurgia Ortognática –Editora Santos –pag 17-29
05 RICKETTS, ROBERT –Orthodontic
Diagnosis and Planning –Vol 2 –1982 -
06 PEREIRA, CLEBER BEDEGAIN –Introdução
a Informatica na Odontologia –Editora Pancast 1996 - http://www.cleber.com.br/visualiz2.html
07 KENSKI, RAFAEL - Info Exame http://www.msn.com.br/mulher/diadia/profissional
do futuro |