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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
FACULDADE DE ODONTOLOGIA
ESTUDO DA OCORRÊNCIA DE METÁSTASES
PARA A CAVIDADE BUCAL: LEVANTAMENTO DE CASOS DO SERVIÇO DE
PATOLOGIA CIRÚRGICA DA DISCIPLINA DE PATOLOGIA BUCAL DA FACULDADE
DE ODONTOLOGIA DA UNIVESIDADE DE SÃO PAULO E REVISÃO
DA LITERATURA.
CARLOS E. PATRIANI DE CARVALH
contato: patriani@usp.br
Dissertação apresentada
à Faculdade de Odontologia da Universidade de São
Paulo
para concorrer ao Título de Mestre pelo Programa de Pós-Graduação
em Odontologia.
Área de Concentração:
Patologia Bucal
São Paulo 2001
Catalogação-na-Publicação
Serviço de Documentação Odontológica
Faculdade de Odontologia da Universidade de São
Paulo
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Carvalho, Carlos E. Patriani de Carvalho
Estudo da ocorrência de metástases
para a cavidade bucal: levantamento de casos do Serviço
de Patologia Cirúrgica da Disciplina de Patologia
Bucal da Faculdade de Odontologia da Universidade de São
Paulo e revisão da literatura / Carlos E. Patriani
de Carvalho ; orientador Ney Soares de Araújo. --
São Paulo, 2001.
49f. : tabs.
Dissertação (Mestrado - Programa
Pós-Graduação em Odontologia. Área
de Concentração: Patologia Bucal) -- Faculdade
de Odontologia da Universidade de São Paulo
1. Metástase neoplásica 2.
Neoplasias bucais CDD 617.63
BLACK D61
D791
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SUMÁRIO
LISTA DE TABELAS p.
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
RESUMO
| 1 INTRODUÇÃO |
7 |
| 2 REVISÃO DA LITERATURA |
8 |
| 3 PROPOSIÇÃO |
31 |
| 4 MATERIAL E MÉTODOS |
32 |
| 5 RESULTADOS |
36 |
| 6 DISCUSSÃO |
38 |
| 7 CONCLUSÕES |
49 |
| REFERÊNCIAS |
51 |
SUMMARY
LISTA DE TABELAS
TABELA 4.1 - Anticorpos primários
empregados.......................................... 29
TABELA 5.1 –Casos diagnosticados
pelo Serviço de Patologia Bucal da Faculdade de Odontologia
da Universidade de São Paulo...............................................................................
30
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
M –Metástase
NM –Neoplasia Maligna
NMM –Neoplasia Maligna Metastática
NP - Neoplasia Maligna Primária
RESUMO
ESTUDO DA OCORRÊNCIA DE METÁSTASES
PARA A CAVIDADE BUCAL: LEVANTAMENTO DE CASOS DO SERVIÇO DE
PATOLOGIA CIRÚRGICA DA DISCIPLINA DE PATOLOGIA BUCAL DA FACULDADE
DE ODONTOLOGIA DA UNIVESIDADE DE SÃO PAULO E REVISÃO
DA LITERATURA.
Realizamos o levantamento dos casos
diagnosticados pelo Serviço de Patologia Cirúrgica
da Disciplina de Patologia Bucal da Faculdade de Odontologia da
Universidade de São Paulo entre Janeiro de 1990 e Janeiro
de 2001 e confrontamos estes achados com os dados disponíveis
na literatura de lingua inglesa a partir de 1965. Foram estudados
dados relativos à frequência, sexo, idade, localização
da lesão metastática e primária, hipóteses
diagnósticas, aspectos clínicos e radiográficos,
tratamento e prognóstico destas lesões. Os casos levantados
do Serviço de Patologia Cirúrgica foram submetidos
a um painel imuno-histoquímico para avaliar a provável
origem da lesão.
1 INTRODUÇÃO
O termo metástase (M) foi
utilizado pela primeira vez na literatura médica por RECAMIER,
em 1829, para designar o crescimento secundário de uma neoplasia
de mama localizada no cérebro. A palavra metástase
é grega em sua origem e tem o significado de mudança
de lugar. (SILVANY FILHO, A. M. Metástases. 2ª ed.,
Brasília: Ministério da Saúde, 1976. 97 p.
(Temas de Oncologia)) .
A melhoria dos diversos recursos
terapêuticos para o tratamento das neoplasias malignas (NMs)
tem resultado no aumento significativo da sobrevida do paciente
e consequente acréscimo do número de metástases.
A ocorrência de metástases
para a cavidade bucal é considerada rara, sendo pouco expressiva
em termos de literatura.
Frente ao exposto nos propusemos
a estudar as lesões metastáticas que ocorreram na
boca, diagnosticadas no Serviço de Patologia Cirúrgica
da Disciplina de Patologia Bucal da Faculdade de Odontologia da
Universidade de São Paulo, comparando os achados obtidos
com os relatos encontrados na literatura de lingua inglesa sobre
o assunto.
2 REVISÃO DA LITERATURA
Para facilidade de compreensão
agrupamos a nossa Revisão da Literatura em sub-ítens,
decorrentes da apresentação dos mesmos nos trabalhos
compulsados, a saber: séries de lesões metastáticas,
Ms para os tecidos moles, Ms de carcinoma hepatocelular, Ms de melanoma
e relatos de casos isolados de Ms.
2.1 séries de lesões
metastáticas
Meyer & Shklar relataram, em
1965, 25 casos de Ms para a cavidade bucal. Verificaram que 52%
das lesões acometiam mulheres e que a média de idade
dos pacientes era de 57,2 anos. A mandíbula foi o local de
ocorrência em 72% dos casos, a gengiva em 16% e a maxila em
12%. A neoplasia maligna primária (NP) foi representada,
em ordem decrescente, pela mama (20%), rim (16%), reto (12%), pulmão
(8%) e próstata (8%); representando 4% cada, observaram também
lesões metastáticas de lesões primárias
do estômago, lábio, tiróide, parótida,
submandibular, ovário, fêmur, escápula e couro
cabeludo. Clinicamente as lesões apresentavam-se com aspecto
eritematoso ou ulcerado, sendo as principais queixas dos pacientes
a dor, tumefação, parestesia e mobilidade dental.
Os diagnósticos diferenciais, sob o ponto de vista clínico,
englobaram infecção óssea menor; osteomielite;
granuloma; neoplasia benigna, NP, doença sistêmica
envolvendo osso ou tecido mole. Os autores comentaram também
que o tratamento realizado foi o cirúrgico sempre que a lesão
fosse única. A radioterapia foi aplicada para lesões
radiosensíveis como mama e pulmão. Medidas paliativas
como a alcoolização de gânglios e a administração
crescente de opiáceos foram empregadas para mitigar as manifestações
dolorosas.
McDaniel et al., em 1971, relataram
102 casos de Ms em maxilares tratados pelo M.D. Anderson Hospital
and Tumor Institute (Houston, Texas) entre 1944 e 1968. Destes casos
foram selecionados 32 com confirmação histológica.
Observaram que 59% dos pacientes eram mulheres com média
de idade de 51,5 anos sendo o local de maior incidência a
mandíbula (89%) em sua porção posterior (88%).
As NPs de maior ocorrência foram as de pulmão (28%)
e mama (28%) seguidas pela tiróide (12,5%), próstata
(6.25%) e melanoma maligno (6.25%). Os sinais e sintomas mais comuns
foram tumefação, dor, parestesia e cicatrização
deficiente após exodontia. Em 28% dos pacientes o diagnóstico
da M conduziu ao diagnóstico da NP.
Stypulkowska et al., em 1979, reviram
408 pacientes tratados por neoplasias malignas (NMs) ocorrendo em
boca, maxilares e face, tendo identificado 13 Ms para a cavidade
bucal, correspondendo a 3,2% do total. Destes casos 53,8% eram mulheres,
com 57 anos em média, sendo a mandíbula o sitio de
maior ocorrência (61,5%). Em ordem decrescente e correspondendo
a mais de 60% das lesões a NP era originada da mama, rim,
pulmão e tiróide. O primeiro sinal da doença
relatado pelos pacientes foi a tumefação, estando
a sintomatologia dolorosa presente em todos os casos. Dois pacientes
apresentavam lesão ulcerada e um queixou-se de trismo. Em
61,5% dos pacientes as lesões identificadas na cavidade bucal
levaram à suspeita e posterior diagnóstico da NP.
Do total de 13 pacientes, 11 foram a óbito entre 2 meses
e um ano após o diagnóstico e 2 permaneciam vivos
após 3 e 11 anos.
Batsakis, em 1981, apresenta 115
casos de Ms para os maxilares envolvendo, em sua maioria, mulheres
com média de 56 anos de idade. O local de maior incidência
das Ms foi a região posterior da mandíbula (80%).
As NPs mais frequentes foram os carcinomas de mama (30,4%), rim
(15,6%), pulmão(14,8%) e coloretal (7,8%). Os sinais e sintomas
mais comuns foram dor, tumefação, parestesia, mobilidade
dental e fratura patológica. O aspecto radiológico
mais frequente era de imagem osteolítica em região
de molares inferiores. Entre 20 a 30% dos casos o diagnóstico
da lesão metastática conduziu ao diagnóstico
da NP. Quanto ao prognóstico o autor afirma que mais de dois
terços foram a óbito no prazo de um ano após
o diagnóstico.
Nishimura et al., em 1982, revisaram
a literatura japonesa de 1936 a 1982. Dos 41 casos de Ms para a
cavidade bucal 58,5% eram mulheres e a média de idade era
de 48 anos. A mandíbula foi acometida em 88,9% dos casos
sendo que em 4,9% deles a maxila estava envolvida concomitantemente.
Lesões em tecido mole (gengiva, mucosa bucal e polpa dentária)
foram relatadas em 56,1% dos casos. As NPs foram, em sua maioria,
carcinomas de útero (31,7%), seguidos por pulmão (14,6%),
estômago (12,2%), rim (12,2%), olho (7,3%), fígado
(4,9%), tiróide (4,9%) e reto, supra-renal e fíbula
(2,4% cada). Em 4,9% não foi possível detectar a NP.
Em 89,1% dos casos foram constatadas Ms envolvendo outros órgãos.
A tumefação acompanhada de dor foram os sintomas mais
comuns, sendo também frequentes parestesia e mobilidade dental.
Os autores ressaltam que nas Ms de carcinomas do útero foi
relatado sangramento em 84,6% delas. As lesões bucais das
Ms foram detectadas antes das NPs em 20% dos casos. As suspeitas
clínicas destas lesões foram de Ms (41,4%) e de tumores
benignos, cistos, inflamação e doenças sistêmicas
(34,1%). O aspecto radiográfico mais freqüente nas lesões
dos maxilares foi a radiolucência apresentando variações
quanto às margens (de pouco a bem definidas). Os autores
ressaltam que a variedade de sinais e sintomas assim como dos aspectos
radiográficos tornam a biopsia essencial para o estabelecimento
do diagnóstico e lembram ainda que a pesquisa completa de
outros órgãos é mandatória já
que as Ms da cavidade bucal ocorrem num quadro de múltiplas
Ms. Em 17% dos casos não foi instituído nenhum tratamento
para as lesões bucais. Outros 17% foram submetidos a cirurgia
apenas; 14,6% submetidos a radioterapia e 7,3% a quimioterapia.
29,2% foram tratados por uma combinação destes três
métodos e em 4,9% não foi descrita a forma de tratamento.
Os tratamentos foram considerados paliativos já que a maioria
dos pacientes apresentava múltiplas Ms.
Hashimoto et al., em 1987, estudaram
62 hemi-mandíbulas obtidas em autópsias de pacientes
vitimados por carcinoma. Neste estudo foi feito um paralelo entre
o local de origem da NP, o grau de envolvimento e a região
da mandíbula onde foram observadas estas células neoplásicas.
Nenhum dos pacientes era portador de NP de mandíbula. Destes,
38,7% eram mulheres e a média de idade era de 57 anos. O
material foi submetido a análise histológica demonstrando-se
a presença de Ms em 16% dos casos. Neste estudo foi feito
um paralelo entre o local de origem da NP, o grau de envolvimento
e a região da mandíbula onde foram observadas estas
células neoplásicas. O grau de envolvimento dos espaços
medulares mandibulares foi classificado como: discreto (menos de
10%); moderado (10 a 30%) e intenso (acima de 30%). Os casos com
envolvimento discreto manifestaram-se preferencialmente no côndilo
e na porção posterior do corpo da mandíbula.
Quando o envolvimento era moderado os focos estendiam-se do côndilo
até a região posterior do corpo da mandíbula
(região de molares). Apenas nos casos com envolvimento intenso
observou-se extensão até a região de incisivos
e periodonto. Os autores notaram a presença de células
neoplásicas em áreas de maior atividade hematopoiética,
sugerindo que tais células possam estar envolvidas no aumento
desta atividade.. A observação de padrões histológicos
osteolíticos coincidia com lesões pequenas. À
medida que aumentava o envolvimento o quadro tornava-se misto e
posteriormente osteoblástico. No entanto, em 6 casos em que
se realizou tomadas radiográficas, as imagens não
sugeriam anormalidades. Por esta razão os autores afirmam
que o exame radiográfico parece não ser o mais indicado
para a detecção de Ms na mandíbula, sugerindo
que estas devam ocorrer com maior frequência sem serem diagnosticadas.
Zachariades, em1989, revisou a literatura
em língua inglesa e coletou relatos de 365 pacientes portadores
de 422 Ms para a cavidade bucal e tecidos peri-bucais em 204 publicações.
A frequência entre os sexos foi considerada a mesma, variando
apenas o local de origem das NPs. A faixa etária variou de
1 a 88 anos sendo que 56,5% deles estava acima de 50 anos e quase
70% acima de 40 anos. Destacam ainda que 15% do total eram crianças
abaixo de 10 anos. Como explicação para o fato o autor
sugere duas hipóteses:
1- Alta incidência de NMs congênitas
e/ou
2- Maior número de publicações
considerando que ocorrências mais raras tendem a ser mais
relatadas na literatura.
A mandíbula abrigou 61% dos
casos considerando-se osso e gengiva, enquanto a maxila (osso, gengiva
e palato) apresentou envolvimento de 24%. Comparando gengiva mandibular
com maxilar obteve-se a relação de 5:8. O autor destaca
ainda que 1/5 dos casos envolvendo língua foram achados de
autópsias, sugerindo a possibilidade deste local estar recebendo
pouca atenção clínica. O local de origem das
Ms foi relatado em 325 casos sendo, em ordem decrescente, 21,4%
provenientes do pulmão; 17% de mama; 11,4% de rim; 6,7% das
supra-renais; 5,6% do útero; 4,7% do intestino; 4,1% da tiróide;
3,2% da próstata; 2,9% do olho; 2,6% do fígado; 1,4%
do estômago; 1,1% neuroblastomas de origem desconhecida; 0,8%
do espaço retroperitoneal; 0,8% do cérebro; 0,8% da
escápula e 0,8% da parede toráxica; 0,6% do lábio
inferior; 0,6% do joelho; 0,6% axila (melanoma); 0,6% de membro
inferior; 0,6% desconhecidos; 0,6% da bexiga e com 0,3% as seguintes
origens: nasofaringe; fíbula; traquéia; melanoma do
dorso; pé; axila; melanoma de origem desconhecida; osso;
ovário; ilíaco; mediastino; região temporal;
tuba uterina; tornozelo; coluna; coxa; musculatura femural; omentum
e pelvis. A terapêutica mais comumente aplicada foi a radioterapia
(18%), cirurgia (15%), quimioterapia (12%) e combinação
de radiação e quimioterapia (13,6%). Em 16% dos relatos
não foi mencionada a terapia. Os diagnósticos diferenciais
foram de Ms em 45,6%, épulis - tumor x épulis - M
x épulis x granuloma piogênico em 17,5%, abscesso em
15,8%, sarcoma em 10,5% e 10,5% outros (M x abscesso, M x osteomielite,
osteíte, osteomielite, periodontite, cisto, pulpite, nevralgia
e cisto ósseo aneurismático). As Ms tornaram-se evidentes,
em sua maioria, durante o primeiro ano. No entanto, em 22% dos casos,
o foco metastático foi a primeira manifestação
indicando a existência de uma NP.
Aniceto et al., em1990, analisaram
209 casos de NMs afetando a mandíbula no período de
1974 a 1987. Encontraram 4,3% do total correspondendo a neoplasias
malignas metastáticas (NMMs) sendo as mulheres envolvidas
em 44,4% dos casos e a média de idade dos pacientes de 49,3
anos. A maior incidência deu-se em ângulo e ramo ascendente
(44,5%), sínfise (22,2%), corpo (22,2%) e côndilo (11,1%).
As NPs representadas em 77,8% por adenocarcinomas provenientes da
mama (33,4%), rim (11,1%) , próstata (11,1%) e de origem
desconhecida (22,2%). Foi também relatado um caso de melanoma
(11,1%) e um de osteosarcoma (11,1%). As queixas mais comumente
relatadas foram parestesia de lábio inferior e tumefação
local. Dor, mobilidade dental, trismo e, mais raramente, ulceração
da mucosa e paralisia facial foram também relatados. Não
foi descrito um sinal radiográfico patognomônico para
as Ms da mandíbula. Nesta série foram observadas imagens
radiolúcidas em 88,9% dos casos (oito casos) sendo que o
único a apresentar imagem radiopaca foi uma M de osteosarcoma,
com o aspecto radiográfico característico desta patologia.
Em oito casos foi utilizada a cintilografia, constatando-se aumento
da captação na região afetada. Em 33% dos casos
o diagnóstico da M conduziu ao diagnóstico da NP.
Foi aplicada terapêutica paliativa em 77,8% dos casos e cirurgia
radical em 22,2% deles. Os óbitos ocorreram de 5 meses a
2 anos após o diagnóstico da lesão metastática.
Hirshberg et al (1993b), revisaram
55 casos publicados na lingua inglesa entre 1926 e 1992 onde a exodontia
precedeu o aparecimento da M. As mulheres foram afetadas em 47%
dos casos com média de idade de 46 anos e os homens com média
de idade de 55 anos. A mandíbula foi acometida em 78% dos
casos. Em 40 casos foi relatado o dente extraído (em alguns
mais de um elemento dental no mesmo paciente). O segundo pré-molar
estava envolvido em 28,3% e o primeiro molar em 18,3%. O envolvimento
mais raro foi do incisivo lateral (5%). O local de origem das lesões
foi o pulmão (29,1%), a mama (18,2%), coloretal (10,9%),
órgão genital feminino (7,3%), osso (7,3%), pele (5,5%),
esôfago(5,5%), olho (3,6%), tiróide (3,6%) e fígado,
rim, próstata, testículo e estômago com 1,8%
cada. Para os homens o pulmão foi o mais comum (44,8%) e
para as mulheres a mama (34,6%). A queixa pré-exodontia mais
frequente foi de dor e mobilidade dental e a pós-exodontia
foi, em ordem decrescente, de aumento de volume local, dor e parestesia
de lábio inferior. Em 52,7% dos casos foi descrita uma massa
emergindo do alvéolo na ferida da exodontia. Nos 55 casos
relatados não foi levantada a suspeita de M na ocasião
da exodontia. Em 13 casos que relatavam o aspecto radiográfico
pré-exodontia 69,2% deles apresentavam imagem aparentemente
normal e 30,8% imagem sugestiva de patologia radicular ou periodontal.
Em 34,5% dos casos o diagnóstico da M precedeu o da NP. Dos
casos sabidamente portadores de neoplasia maligna 44,4% apresentaram
a lesão bucal como primeiro sinal do processo metastático.
O intervalo entre a exodontia e a constatação da M
variou de 1 dia a 3 meses (2 meses em média). Os autores
acreditam ser extremamente provável que a M já estivesse
presente na ocasião da exodontia, muito embora admitam que,
em um reduzido número de casos, tenham-se desenvolvido após
a exodontia. Lembram que os capilares neo-formados têm a membrana
basal descontínua, representando uma possível saída
para as células neoplásicas circulantes. Assim, a
exodontia parece favorecer o aparecimento das M. Estes autores advertem
ainda que qualquer crescimento tecidual assintomático que
emerja no local da ferida deve ser imediatamente biopsiado.
Hirshberg et al., em1994, revisaram
as publicações em lingua inglesa até 1991 referentes
a Ms para os maxilares. Agruparam 390 casos com evidências
clínicas e histopatológicas da lesão. A frequência
observada para mulheres foi de 52% e a média de idade foi
de 45,5 anos, sendo que a maioria (56,4%) encontrava-se entre a
5ª e 7ª década. O local mais comum para as Ms foi
a mandíbula (81%). A região de molares, na mandíbula,
apresentou 55% dos casos, seguida pelos pré-molares (38%),
ângulo e ramo ascendente (29%), côndilo (3,5%) e processo
coronóide (1,6%). A maxila foi acometida em apenas 13,6%
dos casos e em 5,4% do total havia envolvimento de ambos. Para a
maxila a localização mais freqüente foi de pré-molares
e molares (58,7%). Os dados referentes à presença
de dentes estavam disponíveis em 310 casos dos quais 78,4%
eram edêntulos e 21,6% dentados. Embora a frequência
de Ms para a maxila fosse baixa (60 casos), elas aparentemente dependiam
da presença de dentes (93% em pacientes dentados). O tempo
decorrido da exodontia ao aparecimento da M foi em média
de 2 meses. As Ms originaram-se da mama (21,8%), pulmão (12,6%),
supra-renal (8,7%), rim (7,9%), osso (7,4%), colo-retal (6,6%) e
próstata (5,6%). Entre os sexos havia diferenças:
para as mulheres a mama obteve frequência de 42%, supra-renal
8,5%, colo-retal 8%, órgão genital feminino 7,5% e
tiróide 6%; para os homens o pulmão obteve 22,3%,
próstata 12%, rim 10,3%, ossos 9,2% e supra-renal 9,2%. A
origem mais comum destas NPs foi epitelial (70%). A distribuição
por faixa etária apresentou diferenças: para a primeira
década o local de origem mais comum foi a supra-renal e para
a segunda foi o osso. Nos grupos mais idosos a mama prevaleceu para
mulheres e o pulmão e a próstata para homens. Em 101
casos (29,4%) de um total de 344 a lesão bucal foi o primeiro
sinal da presença de uma NP e em 243 casos (70,6%) ela foi
diagnosticada já com o prévio conhecimento de uma
NP. As queixas mais comuns foram de tumefação (57%),
dor (39%) e parestesia (23%). O exame clínico revelou freqüentemente
tumefação óssea; mobilidade dentária
em 4% e trismo também em 4% dos casos. O aspecto radiográfico
foi mencionado em 355 casos mostrando lesões radiolúcidas
ou líticas com margens pouco definidas em 84,9%, radiopacidade
em 2,8% e mista em 7% dos casos. Nos casos de Ms da próstata
os autores destacam que 54,5% destes apresentaram imagens radiopacas
ou mistas (radiopaca x radiolúcida), 36,4% imagens totalmente
radiolúcidas, 3,9% fraturas patológicas e 5,4% não
apresentaram qualquer alteração sugestiva de patologia.
O tempo médio decorrido entre o diagnóstico da NP
e o aparecimento da M na mandíbula foi de 39,5 meses. Em
15 casos (3,8%) foi relatado um intervalo superior a 10 anos. A
presença da M foi indicativa de um prognóstico ruim
sendo que o tempo médio entre o aparecimento da M e o óbito
foi de 7,3 meses.
Hirshberg & Buchner, em1995,
apresentam comentários sobre as Ms para a cavidade bucal
e atualizam a revisão de casos relatados na literatura, totalizando
547, somando-se ossos maxilares e tecido mole. Entre os homens os
locais mais comuns das NPs foram o pulmão, rim, osso e colo-retal.
Para as mulheres a mama, seguida por uma frequência bem inferior
pelo órgão genital e rim. A média para as Ms
para os maxilares foi de 45 anos e para os tecidos moles de 54 anos.
Observou-se, no entanto, que há uma grande incidência
entre a 5ª e a 7ª década. Os autores sugerem que
as Ms de neuroblastomas em mandíbulas de crianças
são responsáveis pela diminuição da
média de idade. A tentativa de análise deste assunto
na literatura encontra dificuldades pois os relatos mais recentes
normalmente referem-se a casos isolados, casos incomuns ou a um
pequeno número deles, o que pode produzir levantamentos tendenciosos.
Quanto ao local para as Ms a região de molares da mandíbula
foi mais freqüentemente acometida seguida pela região
de pré-molares. Para os tecidos moles a gengiva inserida
apresentou maior frequência, seguida por língua e com
frequência bem inferior para os outros locais. Os autores
citam o possível papel da inflamação gengival
como fator de atração das Ms para este local. Quanto
à localização das NPs as origens mais comuns
seriam: mama, pulmão, rim, osso e cólon, que são
igualmente as NMs mais comuns em geral. A mama é o local
de origem mais comum para os maxilares enquanto o pulmão
o é para os tecidos moles bucais. Justificando a diferença
os autores lembram que as Ms de carcinomas de mama têm o osso
como alvo; Ms da supra-renal, próstata, olho e tiróide
são muito raramente encontrados nos tecidos moles bucais.
Os aspectos clínicos variaram de acordo com as diferentes
localizações das lesões. Na mandíbula
a maioria dos pacientes queixou-se de tumefação, dor
e parestesia desenvolvendo-se rapidamente. Radiograficamente as
imagens revelaram áreas radiolúcidas com limites imprecisos,
sendo ocasionalmente observadas imagens radiopacas (osteoblásticas).
As lesões em gengiva foram descritas como hiperplásicas
ou reativas (granuloma piogênico, granuloma periférico
de células gigantes ou épulis). Em outros locais,
especialmente a lingua, as lesões apresentaram-se usualmente
como massas submucosas. Em cerca de 30% dos casos o diagnóstico
da M na cavidade bucal conduziu à descoberta da NP. Com relação
às glândulas salivares os autores afirmam que a parótida
foi mais comumente acometida pela M, seguida pela submandibular.
O percentual de incidência, nestes casos, variou de 3 a 25%
dentre os tumores de origem epitelial e geralmente originavam-se
de estruturas vizinhas (melanomas e carcinomas epidermóides),
embora as Ms para a submandibular originem-se muitas vezes de órgãos
distantes. Clinicamente estas neoplasias assemelham-se às
NPs destas glândulas. O tratamento usual é a radioterapia
e, frente a um quadro avançado, a terapêutica é
paliativa. A sobrevida, em casos de vários focos metastáticos,
atinge apenas poucos meses podendo prolongar-se quando a M bucal
apresenta-se como foco único.
2.2 Ms para os tecidos moles
bucais
Alguns autores apresentam publicações
que tratam especificamente de Ms para a gengiva e mucosa alveolar,
os quais passamos a considerar.
Perlmutter et al., em 1974, apresentaram
o relato de um caso de M para a gengiva e reviram a literatura referente
ao assunto detectando 17 casos. Dos 18 casos estudados 52,9% eram
mulheres sendo a média de idade de 54,4 anos. O arco superior
foi responsável por 55,6% dos casos, o arco inferior por
38,9% e em 5,5% dos casos ambos estavam envolvidos. A região
dos maxilares mais comumente afetada foi a região anterior
(35,4%), seguida pela região de molares (29,4%), região
edêntula (23,5%) e região de pré-molares(11,7%).
As NPs mais comuns foram as de rim (16,7%), pulmão (16,7%),
fígado (11,1%) e mama, estômago, brônquio, testículo,
osso, retina, cólon, útero e útero materno
(5,5% cada).
Ellis et al., em 1977, entre 23 casos
de Ms para a gengiva selecionaram 8 que consideraram bem documentados.
A estes os autores somaram 2 casos relatados nesta mesma publicação.
Nestes 10 casos 60% eram mulheres e a média de idade foi
de 48,5 anos. A distribuição entre os arcos foi de
50% para cada um, sendo a região mais afetada a anterior
(50%) seguida pela região de pré-molares (40%) e molares
(10%).Dos 10 casos apresentados 8 eram carcinomas e 2 sarcomas provenientes
do rim (20%), fígado (20%) osso (20%) e útero, pulmão,
estômago e mama (10% cada). O diagnóstico clínico
em 62,5% dos casos foi de granuloma piogênico X lesão
periférica de células gigantes, épulis, fibroma,
granuloma piogênico ou granuloma gravídico X hemangioma.
Esta observação levou os autores a enfatizarem a semelhança
que as Ms para a gengiva têm com lesões reativas, ocorrendo
naquelas um crescimento bastante rápido. Em 9 casos informados
a sobrevida variou de 10 dias a 29 meses.
Hirshberg et al. (1993a), revisaram
a literatura entre os anos de 1916 e 1991 encontrando 129 artigos
relatando 157 casos de Ms para os tecidos moles bucais. Tomando-se
por base os casos nos quais foram informados o sexo e a idade, verificaram
que 61,6% eram homens com média de 54 anos de idade. A maioria
deles ocorreu na gengiva (54,8%) e na língua (27,4%). A distribuição
por arcos foi de 51,3% para a maxila e 48,7% para a mandíbula,
sendo 10,5% em ambos. Os autores chamam a atenção
para o fato de que em 79% dos pacientes com dentes a M ocorria na
gengiva inserida enquanto nos pacientes edêntulos havia distribuição
equitativa entre mucosa alveolar e língua. A origem das Ms,
na maioria dos casos, foi representada por NPs de pulmão
(26,7%), rim (14%) e pele (12,7%), mama (8,9%), genital feminino
(5,7%), osso(5,1%) e outros (26,9%). Os autores observaram que para
as mulheres as Ms eram provenientes principalmente da mama, enquanto
para os homens era o pulmão. Apontam também para a
ocorrência de apenas 1 caso de M gengival proveniente de NM
de próstata o que, provavelmente, confirme a preferência
deste tipo de M para tecido ósseo. A manifestação
clínica em 90% dos casos era de uma lesão reativa
ou hiperplásica sendo que em apenas 10% as lesões
apresentavam-se como ulcerações. Os autores concluem
que a ocorrência de M para a cavidade bucal é evidência
da generalização da doença neoplásica,
destacando ainda que em neoplasias mais agressivas o paciente pode
não sobreviver o suficiente para ocorrer a M na cavidade
bucal. A história clínica é fundamental em
pacientes portadores de NMs e em 20,4% dos casos o diagnóstico
da lesão metastática foi anterior ao diagnóstico
da NP.
2.3 Ms de carcinoma hepatocelular
Yacabucci et al., em 1972, apresentaram
um caso de M de carcinoma hepatocelular para a mandíbula.
O paciente portador da M era do sexo feminino, com 51 anos de idade
e queixa clínica de parestesia em lábio inferior e
gengiva por duas semanas. Ao exame clínico não foram
observadas alterações locais e ao exame radiográfico
observou-se uma diminuição da radiopacidade distalmente
ao último dente da região. Três meses após
somou-se à queixa inicial mobilidade dental e sensibilidade
local e radiograficamente observou-se área radiolúcida
nítida sob o segundo e terceiro molares mandibulares. Foi
realizada exodontia dos elementos dentais envolvidos e colhido material
para exame anatomopatológico revelando adenocarcinoma metastático.
Dois dias após foi realizada biópsia hepática
constatando-se a origem da M. A paciente foi a óbito 5 meses
após a primeira queixa. Os autores teceram comentários
sobre relatos de Ms de carcinomas hepáticos para a cavidade
bucal sendo este o quinto caso relatado desde 1957. Lembram que
o diagnóstico destas lesões é difícil
pelos sinais não específicos e que com frequência
os achados radiográficos estão ausentes. Finalizam
afirmando sobre o péssimo prognóstico destes casos.
Kanazawa & Sato, em 1989, afirmam
que o carcinoma hepatocelular é a neoplasia maligna mais
comum do fígado e possui tendência a produzir M em
aproximadamente 64% dos casos. De acordo com a revisão dos
autores, entre 1957 e 1988 a literatura em lingua inglesa relatou
15 casos de Ms de carcinoma hepatocelular para a cavidade bucal,
aos quais os autores acrescentaram um relato. Os homens foram afetados
em 94% dos casos e a média de idade foi de 61 anos, sendo
que metade dos casos relatados localizavam-se em gengiva. Os autores
afirmam que não havia nenhum dado que sugerisse maior incidência
para a mandíbula. Destacam que 50% dos pacientes eram asiáticos,
sendo que os japoneses responderam por 37,5% dos casos. A história
clínica dos pacientes revelou que 50% deles apresentavam
cirrose por alcoolismo ou hepatite. A queixa mais comum para as
M de gengiva foi de aumento de volume. Para as lesões em
mandíbula 37,5% das queixas foram de parestesia em lábio
e mento. Em 87,5% dos casos o diagnóstico da M conduziu ao
diagnóstico da NP. A sobrevida dos pacientes variou de 2
semanas a 2 anos (21 semanas em média).
Marker & Clausen, em 1991, apresentam
um caso de M de carcinoma hepatocelular para a mandíbula
e fazem uma revisão da literatura considerando um total de
20 casos. Os homens foram afetados em 95% dos casos e a média
de idade foi de 62 anos. Em 30% dos casos a mucosa estava envolvida
(sendo 25% em maxila): o restante envolvia a mandíbula (região
posterior do corpo e ramo). O aspecto radiográfico de 65%
das lesões era radiolúcido sendo que em 23% destas
houve fratura patológica; 15% não apresentavam anormalidades
e 20% não informavam dados. Em 85% dos casos a M foi a primeira
manifestação da NP. O período do diagnóstico
ao óbito variou de 11 dias a 2 anos.
Franco et al., em 1993, revisando
a literatura a partir de 1957 encontraram 24 casos de Ms de carcinomas
hepatocelulares para a cavidade bucal aos quais somaram um caso
relatado. Dos 25 casos considerados 96,6% eram do sexo masculino
com média de idade de 62,4 anos. A localização
mais frequente da M foi a mandíbula (72%). Todos os casos
de maxila ocorreram em gengiva enquanto registrou-se apenas um caso
em gengiva mandibular ( relação 7:1 ). Em 76% dos
casos a M foi diagnosticada antes da NP.
Llanes et al., em 1996, afirmam que
o levantamento da literatura soma um total de 20 casos de Ms de
carcinoma hepatocelular para a cavidade bucal e relatam mais dois
casos. Ambos do sexo masculino com 71 e 66 anos. Uma das lesões
localizava-se na mucosa alveolar da face interna da mandíbula
e outra na mucosa do pilar amidaliano anterior. As queixas foram
de aumento de volume e dor. O primeiro com história clínica
de diabete, hepatite e cirrose hepática. O segundo sem qualquer
dado significativo em sua história. Ambas as biópsias
diagnosticaram carcinoma hepatocelular metastático e, após
ultrasonografia abdominal, biópsia hepática confirmou
a NP. O primeiro foi a óbito em 10 meses e o segundo em 5
meses após a admissão. Finalmente os autores comentam
sobre uma tendência de Ms destes carcinomas para a cavidade
bucal.
Chin et al., em 1998, revisaram a
literatura de lingua inglesa de 1957 a 1997 e encontraram 51 casos
de Ms de carcinoma hepatocelular para a cavidade bucal e acrescentam
o relato de um caso. Os homens representaram 92% dos casos e 90%
dos pacientes estava acima de 50 anos. 78,8% dos casos envolviam
a mandíbula, 15,4% a maxila, 2,9% ambos os maxilares e 2,9%
o pilar amidaliano. As queixas mais comumente relatadas são
aumento de volume e parestesia. Em 73% dos casos a descoberta da
M precedeu o diagnóstico da NP. O tratamento cirúrgico
foi aplicado exclusivamente por razões funcionais ou estéticas,
como tratamento paliativo.
2.4 Ms de melanomas
Santamaria et al., em 1987, apresentam
o relato de um caso de melanoma maligno metastático para
a região de terceiro molar inferior impactado. O paciente
era do sexo masculino, 55 anos de idade e não foi possível
estabelecer o local de origem da NP. A queixa do paciente foi de
sangramento na ferida após a exodontia do terceiro molar
acompanhada de dor, inflamação e parestesia. O tratamento
foi exclusivamente cirúrgico e o paciente foi a óbito
3,4 anos após.
Patton et al., em 1994, revisaram
os registros do National Institute of Health (NIH) entre 1953 e
1989 identificando 809 casos de melanomas metastáticos. Em
15 casos (1,8%) foram descritas lesões em mucosa bucal ou
maxilares.. Destes, 60% eram do sexo feminino e a média de
idade foi de 40,6 anos. A localização das lesões
bucais foi, por ordem decrescente de frequência, a lingua
(33,3%), mucosa jugal (20%), parótida (13.3%) e lábio
superior (6,6%). Quatro casos (26,7%) envolviam mais de uma região.
O local de origem das Ms foi variado, destacando-se apenas o dorso
com 33,3% dos casos. As queixas clínicas mais comuns foram:
mancha com aumento progressivo de tamanho, mancha sangrante e mancha
recorrente após remoção cirúrgica. O
tempo decorrido do diagnóstico da NP ao diagnóstico
da M foi em média de 4,2 anos. Segundo os autores a excisão
cirúrgica de lesões metastáticas pequenas,
isoladas e acessíveis é a medida mais eficaz no sentido
de prolongar a vida do paciente. A quimio e a imunoterapia têm
sido utilizadas nos casos de doença disseminada. A radioterapia
também tem sido aplicada nestes casos muito embora classicamente
estas lesões sejam consideradas radiorresistentes. A avaliação
da eficácia do controle local da M na cavidade bucal é
difícil já que a sua ocorrência esta geralmente
associada à doença disseminada. O prognóstico
é pobre e a sobrevida neste estudo foi de 20 meses, sendo
a taxa de sobrevida de 5 anos em torno de 3 a 12,5%. Os autores
ressaltam ainda que o auto-exame da cavidade bucal pode contribuir
grandemente no diagnóstico precoce da lesão metastática.
2.5 Casos de Ms de carcinomas
esofágicos
Ide et al., em1997, revisaram a literatura
em lingua inglesa do período de 1962 a 1993 relatando especificamente
Ms de carcinomas de esôfago para a cavidade bucal. Os autores
acrescentam à revisão um caso de M de carcinoma esofágico
para a gengiva mandibular. Foram considerados ao todo 8 casos, com
idade variando de 30 a 74 anos, sendo 87,5% homens. Segundo Ide
et al. (1997) as Ms de carcinomas esofágicos também
acompanham a tendência maior para o sexo masculino das NPs
esofágicas.. As Ms localizavam-se nos maxilares (57,1%),
na língua (28,6%) e na gengiva (14,3%). Destes casos 57%
eram carcinomas epidermóides e 43% eram adenocarcinomas.
Após 6 meses do diagnóstico 5 pacientes foram a óbito.
2.6 Relatos de casos isolados
Rubin et al., em 1989, relataram
o caso de uma paciente do sexo feminino, com 67 anos de idade, com
a queixa principal de dor severa na hemiface esquerda há
dois meses, após suposta luxação da articulação
têmporo-mandibular. A imagem radiográfica inicial não
revelou alterações e após 4 semanas a tomografia
desta região sugeriu uma biópsia do côndilo
mandibular. Foi diagnosticado um adenocarcinoma metastático
de origem desconhecida seguindo-se a detecção de múltiplas
Ms. Foi instituído tratamento radioterápico e 3 meses
após a paciente foi a óbito.
Carroll et al. (1993) apresentam
dois casos de Ms de adenocarcinomas renais para a cavidade bucal.
Um paciente do sexo feminino com 24 anos e outro do sexo masculino
com 18 anos, ambos da raça negra. O primeiro queixava-se
de crescimento de tecido mole sangrante, com duração
de 3 semanas no local da exodontia de um terceiro molar inferior
somado a parestesia progressiva por 6 meses. O segundo relatou aumento
de volume em corpo de mandíbula com duração
de algumas semanas. No primeiro caso a imagem radiográfica
revelou aspecto radiolúcido com limites imprecisos e destruição
de corticais que, somada à queixa de parestesia, foram sugestivas
de NM. Foi realizada a biópsia intra-oral e o exame anatomopatológico
revelou adenocarcinoma renal. A cintilografia acusou vários
pontos de concentração (corpo de mandíbula,
ombro, rim e abdomen). Foi realizada a remoção cirúrgica
do rim afetado e radioterapia para a mandíbula e o ombro.
Quimioterapia foi também instituída mas a neoplasia
não respondeu a nenhum tratamento, tendo o paciente ido a
óbito. O segundo caso apresentava diminuição
de resposta ao teste elétrico dos pré-molares e do
primeiro molar do lado afetado. Havia também queixa de parestesia
de lábio inferior homolateral. A radiografia periapical da
região mostrou reabsorção dos ápices
do segundo pré-molar, primeiro e segundo molares, com descontinuidade
da lâmina dura. A radiografia panorâmica confirmava
estes achados acrescentando uma imagem de descontinuidade do canal
mandibular na região. A biópsia foi realizada e concluiu
tratar-se de M de origem epitelial proveniente do rim. Após
vários exames evidenciou-se doença metastática
generalizada envolvendo mandíbula, costelas, fêmur,
crânio, úmero e região sacro-ilíaca.
Instituiu-se radioterapia paliativa e o paciente foi a óbito
10 meses após a primeira consulta. Os autores destacam que
os carcinomas renais são responsáveis por cerca de
3% de todas as neoplasias vicerais incidindo principalmente na sexta
e sétima década de vida. Acrescentam que esta patologia
possui um prognóstico bastante ruim e que muitos casos têm
a M como primeiro sinal da doença.
Selden et al. (1998) apresentam o
caso de um paciente do sexo masculino, 49 anos, com queixa de dor
no primeiro molar inferior. O exame clínico revelou dor à
percussão do elemento dental e também à palpação
do fundo de saco vestibular; a mucosa pericoronária apresentava
sinais de inflamação, sendo diagnosticado abscesso
dental. Radiograficamente observou-se rarefação óssea
envolvendo a raiz mesial e furca: optou-se então pela exodontia
do elemento envolvido. Após 5 dias havia evidências
de NM no pâncreas. Após 11 dias foi realizada biopsia
em lesão exofítica no local correspondente à
exodontia, diagnosticando-se carcinoma indiferenciado. Após
uma semana foi iniciada radioterapia paliativa e três dias
após o paciente foi a óbito.
3 PROPOSIÇÃO
Propusemo-nos a levantar os casos
de Ms para a cavidade bucal diagnosticados pelo Serviço de
Patologia Cirúrgica da Disciplina de Patologia Bucal da Faculdade
de Odontologia da Universidade de São Paulo entre Janeiro
de 1990 e Janeiro de 2001 e confrontar nossos dados com aqueles
obtidos na literatura de lingua inglesa a partir de 1965 visando
atualizar nossos conceitos referentes ao tema.
4 MATERIAL E MÉTODOS
A amostra utilizada neste trabalho
baseou-se no levantamento de 20.634 exames anátomo-patológicos
do Serviço de Patologia Cirúrgica da Disciplina de
Patologia Bucal do Departamento de Estomatologia da Faculdade de
Odontologia da Universidade de São Paulo, no período
de 1990 a 2001, da qual selecionou-se seis exames com diagnóstico
de NMM.
As lâminas de cada caso foram
revistas. Os dados clínicos dos casos selecionados foram
obtidos das fichas de pedidos de exame, constando de sexo, idade,
raça, local da lesão, aspectos radiográficos
e local da NP.
De cada caso foram revistas as lâminas
para estudo da lesão e confirmação do diagnóstico.
Em quatro casos onde havia material
suficiente, um painel imuno-histoquímico foi utilizado, como
piloto, para investigar a possível origem da NP. Assim, exame
imuno-histoquímico foi realizado a partir do complexo streptavidina-biotina
(SABC, do inglês Streptavidin-Biotin Complex), utilizando-se
um painel de anticorpos monoclonais específicos para as citoqueratinas
7, 8, 13, 14, 18, 19 e 20, vimentina e actina músculo liso.
A tabela 4.1 mostra os anticorpos primários empregados, clone,
diluição e tempo de incubação.
Para esta técnica imunohistoquímica
foram realizados cortes de 2 a 3 µm de espessura a partir
do material emblocado em parafina. Os cortes foram estendidos em
lâminas de vidro previamente lavadas em álcool absoluto,
secas e mergulhadas por um minuto em solução de 3-aminopropyltriethoxy-silano
(Sigma Chemical CO., St Louis, MO, USA) a 10% em álcool absoluto.
Os cortes foram desparafinizados em dois banhos de xilol a 60oC
por 30 minutos e a temperatura ambiente por 20 minutos, respectivamente.
Em seguida, foram re-hidratados em série decrescente de etanol
3 absolutos (95, 85, 80%), ou seja, seis passagens de 5 minutos
cada. A fim de se remover o pigmento formólico, os cortes
foram imersos em hidróxido de amônia a 10% em solução
alcoólica a 95% durante 10 minutos.
Após lavagem em água
corrente e dois banhos em água destilada, as lâminas
receberam os tratamentos para recuperação antigênica.
Tratamento em forno de microondas
(700W) com as lâminas totalmente mergulhadas em ácido
cítrico 10mM pH 6,0, as quais permaneceram por 15 minutos
no forno em três ciclos de 5 minutos foi realizado para restabelecer
os sítios antigênicos e eliminar as ligações
cruzadas formadas com o formol (exceto para citoqueratina 13).
Após o tratamento, os cortes
foram novamente lavados em água corrente seguidos de duas
passagens em água destilada e seguidos para o bloqueio da
peroxidase endógena tecidual, para o qual foram realizados
dois banhos de 5 minutos cada em solução 1:1 de péroxido
de hidrogênio a 6% e metanol.
Repetida a lavagem em água
corrente e a passagem em água destilada, os cortes foram
imersos em solução de TRIS pH 7,4 em três banhos
de 5 minutos cada, seguindo-se a incubação do anticorpo
primário nas condições especificadas na tabela.
A diluição do soro primário foi feita em TRIS
pH 7,4 acrescido de albumina bovina a 1% conservada em azida sódica
a 0,1% (BSA-Biotest S/A, São Paulo, Brasil). A incubação
dos anticorpos primários foi realizada em cuba úmida
à temperatura ambiente.
Todos os procedimentos posteriores
sempre foram precedidos de três banhos em TRIS pH 7,4 cada
um de cinco minutos.
Após incubação
do anticorpo primário, foi executada a incubação
do anticorpo secundário (cabra anti-camundongo anti coelho)
diluído em TRIS pH7,4 por 30 minutos à temperatura
ambiente em câmara úmida. O anticorpo utilizado foi
o anti-soro do animal em que foi produzido o anticorpo primário.
O complexo terciário composto
pela estreptoavidina biotina e a enzima peroxidase na concentração
de 1:300 por 30 minutos foi então incubado. O diluente utilizado
também foi o TRIS pH7,4.
Para a revelação da
reação foi empregada a diaminobenzidina (DAB) diluída
em TRIS pH7,4, e ativada por 600 ml de péroxido de hidrogênio
a 6%, em câmara escura por 3 minutos.
Em seguida, após nova lavagem
em água corrente e água destilada, os cortes foram
contracorados com hematoxilina de Mayer e desidratados em série
crescente de etanol, diafanizados em xilol, montados em permount
(Fischer Scientific, Fair Lawn, NJ, USA) e examinados sob microscopia
de luz.
Controles positivos foram utilizados
para cada anticorpo empregado. O controle negativo das reações
foi realizado ela substituição do anticorpo primário
por solução tampão.
TABELA 4.1 - Anticorpos primários
empregados
| Especificidade |
Clone |
Diluição |
Tempo deincubação |
|
CK
7* |
OV-TL
12/30 |
1:200
|
30
minutos |
|
CK
8* |
C-51
|
1:50
|
60
minutos |
|
CK
13* |
AE8
|
1:80
|
120
minutos |
|
CK
14* |
-
|
1:50
|
60
minutos |
|
CK
18* |
-
|
1:50
|
60
minutos |
|
CK
19* |
RCK108
|
1:100
|
120
minutos |
|
Vimentina
|
V9
|
1:200
|
60
minutos |
|
Actina-músculo-liso |
1A
4 |
1:200
|
60
minutos |
*Biogenex, San Ramon,
California, USA
5. RESULTADOS
Dos 20.634 relatórios revisados
de exame anatomopatológico do Serviço de Patologia
Cirúrgica da Disciplina de Patologia Bucal da Faculdade de
Odontologia da Universidade de São Paulo registrados de Janeiro
de 1990 a Janeiro de 2001 foram encontrados 6 casos de NMM em cavidade
bucal. A tabela a seguir mostra a compilação dos dados:
TABELA 5.1 –Casos diagnosticados
pelo Serviço de Patologia Bucal da Faculdade de Odontologia
da Universidade de São Paulo.
Diagnóstico
Histopatológico |
Local
NMM |
Sexo
|
Idade
|
Raça
|
Aspecto radiográfico
|
Local
da NP |
Adenocarcinoma metastático
|
Mucosa jugal |
F |
64 |
Negra |
X |
Mama |
Adenocarcinoma metastático
|
Corpo de mandíbula
|
F |
59 |
Branca |
Radiolúcido Multilobulado
|
Mama |
Adenocarcinoma metastático
|
Corpo de mandíbula
|
F |
78 |
Branca |
Radiolúcido Multilobulado
|
Mama |
Carcinoma de células
claras |
Região anterior
de mandíbula |
M |
76 |
Branca |
Radiolúcido |
Rim |
Adenocarcinoma metastático
|
Região anterior
de mandíbula |
M |
63 |
Branca |
Radiolúcido |
Próstata? |
Carcinoma metastático
|
Ramo esquerdo
Mandíbula |
F |
64 |
Branca |
Radiolúcido |
Mama |
Observamos que a distribuição
dos 6 casos por sexo foi de 66,6% para o sexo feminino sendo a média
de idade de 67,3 anos. Considerando-se os maxilares a mandíbula
obteve 100% de incidência da NMM e os tecidos moles representaram
16,6% do total de casos. O local de origem destas metástases
foi a mama em 66,6%, rim em 16,6% e 16,6% desconhecida. Estes dados
serão confrontados com aqueles obtidos a partir da literatura
consultada.
Como resultado da aplicação
do painel imunohistoquímico proposto, dois casos diagnosticados
como adenocarcinoma mamário apresentaram positividade para
citokeratinas 7 e 14 (fraca), 8, 13, 19 (moderada, e áreas
focais positivas para CK20.
O carcinoma renal exibiu forte positividade
para CK 7 e 19, moderada para CK 8 e fraca para CK 18. As CK 13,
14 e 20 não foram positivas nesta neoplasia.
A neoplasia diagnosticada como sugestiva
de carcinoma de próstata apresentou positividade apenas para
CK7, e raras células positivas para CK19.
6 - DISCUSSÃO
Um dos conceitos centrais da biologia
tumoral moderna repousa no fato de que a maioria dos tumores são
monoclonais, sendo portanto originados de uma única célula.
A origem do tumor decorrente da expansão clonal de uma única
célula tem importantes implicações teóricas.
Assim, o estado tumoral é uma propriedade herdada e intrínseca
da célula, dependendo esta do estroma circundante e do suprimento
vascular, mantendo porém o seu comportamento autônomo
quanto à proliferação.
Os tumores se originam ,com grande
freqüência, em indivíduos mais idosos, podendo
permanecer localizados e encapsulados ou invadir os tecidos vizinhos
e se espalhar pelo corpo. Os tumores benignos contém células
que se assemelham a células normais do tecido, sendo usualmente
delimitadas por uma capsula fibrosa. Por outro lado, aqueles que
invadem os tecidos vizinhos e transportam-se pelo sistema circulatório
para outros locais, são denominados tumores malignos. O fenômeno
da ocorrência de um novo crescimento tumoral independente
recebe o nome de metástase.
A metástase pode ser entendida
como uma seqüência de eventos progressivos. O passo inicial
ocorre pelo acesso das células tumorais ao sistema vascular
sangüíneo ou linfático, por meio de enzimas por
elas elaboradas que desorganizam a matriz extracelular e a bainha
vascular. Uma vez no interior do vaso as células tumorais
são carregadas para locais distantes de sua origem até
ocorrer a adesão das mesmas a sítios específicos
expostos no lúmen dos vasos. A seguir estas células
extravasam pela parede vascular penetrando nos tecidos: iniciam
então a proliferação neste novo meio.
Para executar estes passos e produzir
um foco metastático efetivo as células tumorais precisam
adquirir algumas propriedades. Assim, precisam reduzir sua capacidade
de aderência para facilitar a sua habilidade de se destacar
do tumor primário e invadir o tecido circundante; precisam
adquirir a capacidade de degradar a matriz extracelular para poder
se movimentar; precisam ser capazes de estimular a proliferação
endotelial e determinar a ocorrência de angiogênese
o que facilitará a movimentação para outros
locais; precisam, quando no interior dos vasos, serem protegidas
das reações imunológicas que tentarão
destruí-las; precisam, alcançando o destino tecidual,
aderirem à parede vascular para poder migrar; precisam, após
aderirem, extravasar para o tecido e iniciarem proliferação
na dependência de fatores de crescimento locais. Admite-se
que destino final da lesão metastática é provavelmente
seletivo e dependente de algum tipo de especificidade para um órgão
ou tecido, decorrente da presença de fatores locais de crescimento,
de moléculas de adesão e de propriedades da matriz.
A descrição acima,
necessariamente superficial, deve ser entendida como um fenômeno
extremamente complexo que carece de estudos profundos para que no
futuro suas bases genéticas e bioquímicas sejam melhor
conhecidas.
Outra consideração
a ser feita diz respeito ao número de lesões metastáticas
em nosso material, selecionados após exame de 20.634 casos.
Em levantamentos semelhantes como o de Summerlin et al. (1994),
no qual tem-se conhecimento do total de lesões metastáticas
e do número total de exames, fica claro o pequeno número
de lesões do nosso serviço. Assim, de um universo
de cerca de 100.000 exames, 124 casos de lesões metastáticas
foram encontradas, o que equivale a pouco mais de 0,1%. Uma matemática
simples, traduzida em prova, nos levaria a supor que em nosso material,
cinco vezes menos numeroso no total, deveríamos esperar encontrar
ao redor de 25 casos e não apenas seis como levantado.
A explicação para tal
nos parece caminhar para duas vertentes. A primeira apontaria para
o erro de diagnóstico, decorrente da raridade das lesões,
as quais seriam interpretadas como doença maligna primária
e não metastática. A outra vertente sem dúvida
decorreria do não reconhecimento pelo profissional da lesão,
sua suspeição e subsequente biópsia.
A primeira condição
decorreria do despreparo do patologista para realizar o diagnóstico
correto, fato que, pelo número de ocorrências, chega
a ser inquietante. Recente artigo de Foucar (1998) aponta que aproximadamente
30.000 casos de câncer nos Estados Unidos são erroneamente
diagnosticados por ano.
A segunda condição
nos leva ao velho chavão de que o nosso cirurgião
dentista, de modo geral, é bastante relutante à realização
da biópsia em seus pacientes. Não podemos, no atual
estágio de conhecimentos, aceitar que a omissão de
um procedimento coloque em risco a vida de um paciente.
A revista de literatura realizada
nos ofereceu acesso às principais publicações,
cabendo agora algumas considerações sobre os achados
levantados.
A primeira consideração
a ser feita diz respeito à baixa freqüência com
que as lesões metastáticas são relatadas, aparecendo
usualmente como relatos isolados ou pequenas séries. A incidência
de metástases para a mandíbula e maxila, em seu número
real, fica difícil de ser acessada tendo em vista que o levantamento
esquelético para a determinação de sua ocorrência
usualmente exclui estes ossos.
Assim, as séries de Hirshberg
et al. (1993a); Hirshberg et al. (1994) e Zachariades (1989), que
contêm o maior número de casos, têm grande importância
pois coletam informações da literatura contribuindo
bastante para o nosso entendimento sobre as lesões metastáticas.
Vale também anotar que a maior concentração
de relatos antecede 1979, sendo que as publicações
mais recentes referem-se à ocorrência de lesões
mais raras, fato este que pode levar a estatísticas incorretas.
Seguindo a seqüência da
Revisão da Literatura as séries de lesões metastáticas
contemplam um universo de pouco mais de 1000 casos relatados. Considerando-se
somente os casos para tecido mole, o total não atinge 200
casos. Os casos de metástases de carcinoma hepatocelular
são numericamente inferiores a 150. O número de melanomas
metastáticos é inferior a duas dezenas e as metástases
de esôfago ocorrem em menos de dez casos.
Dentre as revisões mais recentes
observamos alguns detalhes que consideramos importantes para a compreensão
do quadro geral.
Zachariades (1989) reuniu 365 casos
de NMMs para a cavidade bucal incluindo região peribucal
(7 casos). Aniceto et al., em 1990, publicam revisão da literatura
relativa ao assunto e acrescentam nove casos próprios. No
entanto, consultando-se as referências bibliográficas
deste artigo não encontramos referência ao autor Zachariades.
Na revisão de Hirshberg et al. (1993a) os autores referem-se
a Zachariades (1989) mas não a Aniceto et al. (1990). Apenas
Hirshberg et al. (1994) faz referência a Aniceto et al. (1990).
Porém, em relação às Ms de carcinoma
hepatocelular, Hirshberg et al. (1994) acrescentam em sua revisão
apenas 20 casos relatados até 1991 por Marker & Clausen,
deixando de computar, na época, 5 casos já relatados
por Franco et al. (1993). Mais recentemente o autor Chin et al (1998)
eleva para 51 o número total destes casos, tornando a revisão
de Hirshberg et al (1994) defasada em 31 casos. Hirshberg et al.,
em 1995, publicam nova revisão da literatura aumentando o
total para 547 casos, sem no entanto incluir os casos relatados
por Franco et al. (1993).
Acreditamos que, por estes fatos,
torna-se importante a inclusão, nesta revisão, dos
relatos de casos isolados (Rubin et al., 1989; Carroll et al., 1993;
Ide et al., 1997 e Selden et al., 1998) não citados nas revisões
(em número de 6), para que, somados aos casos levantados
em nosso serviço (6), traduzam melhor a situação
atual.
No que diz respeito ao sexo e idade,
a média de incidência para o sexo feminino nas séries
foi de 52,1% e a idade da maioria dos pacientes era superior a 50
anos. As metástases para os tecidos moles seguiu distribuição
semelhante de idade e sexo. No carcinoma hepatocelular metastático
houve prevalência dos homens e o grupo etário foi similar.
Os demais sítios primários considerados têm
pouca expressão numérica. Os nossos casos envolveram
duas vezes mais mulheres que homens e a idade variou de 59 a 78
anos. Entretanto o pequeno número de casos impede maiores
inferências.
A maior ocorrência das lesões
metastáticas dá-se na mandíbula, pouco mais
que 70%, seguindo-se os tecidos moles e a maxila (Zachariades 1989;
Aniceto et al. 1990; Hirshberg et al. 1993a e Hirshberg et al.,
1994). Tanto para a mandíbula quanto para a maxila a região
de molares apresentou maior incidência. Contribuição
importante quanto à localização na mandíbula
foi dada por Hashimoto et al. em 1987, quando os autores estudaram
casos de pacientes autopsiados para verificarem a ocorrência
de metástases com a finalidade de observar as características
histopatológicas do mecanismo das mesmas. Nos 62 casos estudados,
com inclusão de hemi-mandíbulas, em 10 casos foram
confirmados metástases. O estudo mostrou que os locais favoráveis
para os focos metastáticos eram os sítios de hematopoiese
nas fases iniciais e, nas fases mais avançadas da doença,
as células tumorais ampliavam sua distribuição
comprometendo também o periodonto. A menor incidência
de metástase na maxila foi relacionada à escassez
de focos hematopoiéticos.
Com relação à
ocorrência de metástases após exodontias, Hirshberg
et al. (1993b) acreditam que na maioria dos casos a lesão
metastática já estava presente em situação
intra-óssea, aproveitando a ferida cirúrgica para
manifestar-se na cavidade bucal. Contudo, em alguns casos, não
pode ser afastada a possibilidade de que a metástase tenha
ocorrido após a exodontia, sendo que o tecido de granulação
local tenha favorecido a instalação da lesão
metastática. As lesões em tecidos moles ocorreram
principalmente na gengiva (54,8%), língua (27,4%) e menos
freqüentemente na amígdala, palato, lábio, mucosa
jugal e assoalho bucal (Hirshberg et al. 1993b). A preferência
das Ms para a gengiva pode estar relacionada à presença
de reação inflamatória, onde a ocorrência
de tecido de granulação poderia favorecer o processo
.É interessante notarmos que, para os tecidos moles, mais
da metade das lesões localizou-se no arco superior. Para
as NMMs de carcinomas hepatocelulares a mandíbula abrigou
63,3% das lesões, seguida pelos tecidos moles com 30,5%.
Para as metástases de melanomas a lingua é a localização
em cerca de 33% dos casos, seguida pela mucosa jugal, parótida
e lábio superior.
Os nossos achados coincidem com os
de Zachariades 1989; Aniceto et al. 1990; Hirshberg et al. 1993a
e Hirshberg et al. 1994 já que observamos a maior ocorrência
na mandíbula (83%) e tecido mole (17%), não tendo
sido registrado nenhum caso em maxila. O envolvimento da mandíbula
deu-se, em 60% dos casos, na região posterior.
As origens mais freqüentes das
lesões metastáticas relatadas nas séries foram
a mama (21,5%), seguida pelo pulmão (16,8%), rim (10,8%),
intestino, tiróide e próstata (Hirshberg et al. 1994).
Para as mulheres o local de origem mais freqüente é
a mama enquanto para os homens é o pulmão. Hirshberg
et al. (1995) lembram que cada neoplasia apresenta certa preferência
no alvo de suas metástases. Desta forma, aceita-se atualmente
que as metástases de mama têm o osso como alvo preferencial,
o mesmo se dando em relação às NMs de próstata,
tireóide, supra-renal e olho. Em relação aos
tecidos moles, Hirshberg et al. (1993a) apontam para uma incidência
de mais de 26% originadas do pulmão, seguida pelo rim, fígado,
osso e finalmente mama. Coincidentemente, nesta série, a
ocorrência em homens é 26% maior que em mulheres. Os
autores destacam também a tendência das NMs de rim
produzirem metástases para a mucosa bucal.
Em nossa casuística as Ms
de neoplasias de mama ocorreram em mais de 66% dos casos, ou seja,
todas as pacientes do sexo feminino apresentavam NP de mama. No
sexo masculino encontramos uma NP de rim e outra de origem desconhecida,
provavelmente próstata.
Dos trabalhos analisados destacamos
oito sinais e sintomas que são relatados com grande freqüência
pelos autores Meyer & Shklar (1965), McDaniel et al. (1971),
Stypulkowska et al. (1979), Batsakis (1981), Nishimura et al. (1982),
Aniceto et al. (1990), Hirshberg et al. (1993a) e Hirshberg et al.
(1994). O único sintoma relatado em todos os casos foi a
dor, seguida de tumefação (87,5%), parestesia (87,5%),
mobilidade dental (75,0%), trismo (37,5%), fratura patológica
(12,5%), cicatrização deficiente (12,5%) e ulceração
(12,5%). Em quatro de nossos casos foi informada sintomatologia
dolorosa.
As hipóteses diagnósticas
aventadas quando de biópsia, levantadas das publicações,
apontavam em primeiro lugar a possibilidade de lesão reativa
(42%). A suspeita de lesão maligna foi aventada em 15,4%
dos casos analisados, seguidos de quadro inflamatório em
15,4% neoplasias benignas 11,5%, doenças sistêmicas
7,7% e condições outras 7,7%. (Meyer & Shklar
1965; Ellis et al. 1977; Nishimura et al. 1982; Zachariades 1989
e Hirshberg et al. 1993a)
Em quatro de nossos casos foi anotada
a suspeição de NP ou NP. Em um dos casos, embora fosse
informado que o paciente tinha um carcinoma renal, a lesão
bucal teve uma hipótese diagnóstica de lesão
central de células gigantes. No caso restante não
havia informação. Tal observação impõe
que não obstante a raridade de ocorrência, os alunos
devam ser ensinados da possibilidade de metástases para a
região bucal, fato que é desconhecido pela maioria
dos profissionais.
A imagem radiográfica das
lesões metastáticas para a maxila e mandíbula
são descritas com o aspecto de lesões radiolúcidas
com ou sem delimitação , em cerca de 65 a 85% dos
casos. Vale observar que nos casos pré-exodontia, a lesão
metastática radiografada foi interpretada como patologia
periapical ou periodontal. Nos casos por nós estudados ,
todos que envolviam tecido ósseo exibiam imagem radiolúcida.
( Nishimura et al. 1982; Hashimoto et al. 1987; Aniceto et al. 1990;
Marker & Clausen 1991; Hirshberg et al. 1993b; Hirshberg et
al. 1994 e Hirshberg et al 1995 )
Duas situações distintas
podem ocorrer na ocasião do diagnóstico de uma NMM.
Ou sabe-se que o paciente é ou foi portador de uma NP ou
desconhece-se a ocorrência de qualquer NM no paciente. De
acordo com a bibliografia consultada, constatamos que, frente à
primeira situação, o clínico é fortemente
induzido a formular a hipótese de NMM; já na segunda
situação torna-se óbvia a maior dificuldade
em se diagnosticar correta e prontamente a lesão metastática.
No entanto é justamente nesta situação que
o profissional tem a grande oportunidade de, diagnosticando uma
NMM, revelar uma NP ainda não diagnosticada nem tratada.
Vários autores abordam este fato sendo que, em média,
31,7% dos diagnósticos de metástases em cavidade bucal
foram o primeiro sinal da presença de uma NM até então
desconhecida ( Hirshberg et al., 1994; Hirshberg et al., 1993a;
Aniceto et al., 1990; Zachariades 1989; Nishimura et al.., 1982;
Batsakis 1981; Stypulkowska et al., 1979 e MacDaniel et al., 1971
).
Assim como acontece com as lesões
primárias, outra importante implicação do pronto
diagnóstico de uma metástase é a abreviação
no prazo da instituição terapêutica, para que
não se restrinja ainda mais a sobrevida do paciente. Autores
como Ellis et al.(1977); Stypulkowska et al. (1979); Batsakis (1981);
Aniceto et al. (1990); Kanazwa & Sato (1991); Marker & Clausen
(1991); Patton et al. (1994) e Hirshberg et al. (1994) apontam a
sobrevida dos pacientes, a partir do momento do diagnóstico
da metástase, ao redor de 11,7 meses.
De tudo que pudemos levantar sobre
o assunto de metástases na cavidade bucal, fica claro que
as modalidades de tratamento são limitadas e na maioria dos
casos paliativas frente à gravidade da doença. Entretanto,
o avanço dos conhecimentos em biologia molecular e a melhora
dos protocolos terapêuticos nos faz antever, num futuro oxalá
próximo, a possibilidade de melhor tratarmos nossos pacientes
proporcionando-lhes qualidade de vida mais adequada.
7 - conclusões
Os casos de neoplasias malignas metatáticas
estudados em nosso material permitem concluir:
1. Nos exames realizados de 1990
a 2001 pelo Serviço de Patologia Cirúrgica da Disciplina
de Patologia Bucal, somente seis casos, correspondendo a 0,03% do
total, eram lesões metastáticas;
2. Quatro casos ocorreram em pacientes
do sexo feminino, de idade variando entre 59 e 78 anos de idade,
sendo três situados no corpo e ramo da mandíbula e
um em mucosa jugal, sendo diagnosticados histopatologicamente como
adenocarcinoma metastático e a lesão primária
identificada na mama;
3. Um caso em paciente do sexo masculino,
com 76 anos de idade situado na região anterior da mandíbula,
foi diagnosticado histopalotogicamente como carcinoma de células
claras e a lesão primária identificada no rim;
4. Um caso em paciente do sexo masculino,
com 63 anos de idade situado na região anterior da mandíbula,
foi diagnosticado histopalotogicamente como adenocarcinoma metastático,
sugerindo a próstata como local da lesão primária
e
5. Dos carcinomas com história
clínica houve a hipótese de metástase de mama
em dois, de neoplasia maligna em um e carcinoma epidermóide
em outro. Um caso, não obstante ser o paciente portador de
carcinoma renal, a lesão bucal foi chamada de lesão
de células gigantes central.
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SUMMARY
OCCURRENCE OF METASTATIC LESIONS
TO ORAL CAVITY: STUDY OF CASES FROM THE "SERVIÇO DE
PATOLOGIA CIRÚRGICA DA DISCIPLINA DE PATOLOGIA BUCAL DA FACULDADE
DE ODONTOLOGIA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO" AND REVIEW
OF THE LITERATURE.
We have performed the study
of metastatic lesions to oral cavity diagnosed by the "Serviço
de Patologia Cirúrgica da Disciplina de Patologia Bucal da
Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo"
from 1990 to 2001 and compared these data with those available in
the literature since 1965. We analysed gender, frequency, age, location
of primary and metastatic lesion, clinical and radiographic aspects
and diagnosis, treatment and prognosis. Our cases were submited
to an immunohistochemistry essay to evaluate the probable origin
of the lesion.
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